CENA VII
SAMIR:–Vai ficar aí estancado até quando? Se não vem pra comprar,pode dar meia volta e se mandar.
JOVEM:–Queria ver com os meus próprios olhos.
SAMIR:—Já viu? Agora pode ir! Diga pra sua mãe que nós agora tem bucho fresquinho.
JOVEM:–O senhor é rabudo mesmo! Receber o objeto do roubo com juros é demais.
SAMIR:–Que tá dizendo aí,hein?
JOVEM:–É um homem largo o senhor.Vai ter sorte assim…com juros e tudo!( O Jovem sai de cena comentando pra si)
SAMIR:–Esse aí é doido de pedra.(Continua a colocar as mercadorias.Quando se vira novamente,a Dona Aser ali,parada a observá-lo) Todo mundo acha que a senhora está morta.
ASER:–Brincadeira tem hora seu Samir! Muita gente quer é ver os velhos desocupar lugar.E estão de olho é nos meus ganhos.
SAMIR:–A senhora somiu um fim-de-semana inteiro. Quando alguém some,ou tá preso,ganhou na loteria,ou morreu.
ASER:–De vez enquanto,é bom dar uma sumidinha.Pro senhor ver, já estão sentindo a minha falta.Estou bem,e a vida continua.Viva seu Samir,bem viva!
SAMIR:–Al Alsair dona Aser! E nós aqui se derramando em lágrimas por saudade da senhora.
SER:–Vou acreditar! Estou com pressa seu Samir.E o dinheiro?
SAMIR:–Alá seja louvado mais uma vez pela senhora.Nós escondeu de tal maneira, que nem nós tinha certeza do lugar.
ASER:–Com o senhor,o meu dinheirinho está em segurança.Ainda tenho que fazer muita coisa seu samir.Tenho pressa,se apresse!
SAMIR:–O dinheiro da senhora?.. nós quer agora é saber pra onde a senhora andou.
ASER:–Vamos deixar do jeito que está.
SAMIR:–Não,não vamos não! A senhora me deve explicação.Deve explicação à todos os do bairro.Que fedor era aquele que saia da casa da senhora?Todo mundo achava que o seu corpo derretia lá.
ASER:–Ah,isto eu posso explicar! naquele dia.Eu já arrumada pra sair.Fui visitar a minha irmã…o senhor sabe que uma vez por mês,eu visito a minha irmã.Mas,na hora que eu ia sair,o Lúcio…o senhor sabe quem é o Lúcio não sabe?
SAMIR:–Sei quem é.
ASER:–Pois é,o Lúcio e a esposa,aparece bem na hora que eu ia sair.Pra que? Pra comprar o tal do terreno que tinha posto pra vender.
SAMIR:–E de que lugar ele tirou o dinheiro pra comprar o terreno da senhora?
ASER:–O senhor não sabe?Todo mundo sabe,menos o senhor! (Dá uma risadinha) A mulher…mulher sortuda!! Ganhou nos números da loteria.O dinheiro era a quantia certa pra comprar o terreno.. admiro a inteligente dos dois! Eu,de um lado emocionada pela venda.Do outro,pela sorte da mulher.Na conversa toda,me esqueci da hora.E tinha colocado a carne pra descongelar em cima da pia.Juntando tudo! Se eu fosse àquela hora pro banco colocar o dinheiro,não ia dar tempo.Foi aí que me veio a sua imagem à cabeça.
SAMIR:–Nós! Pau pra toda obra né! A senhora deixou em nós dois sofrimento,se a senhora morre,nós não pode gastar o dinheiro.Se os ladrão leva o dinheiro da senhora nós ter que pagar.E é muito dinheiro.Agora nós perde o dinheiro pra seu legítimo dono.(Samir vai nos fundos da loja,pega o embrulho com o dinheiro,entrega-o a dona Aser.Ela abri o embrulho)
SAMIR:–Pode conferir dona Aser.Pode conferir!
ASER:—É isso não seu Samir.(Ela retira algumas notas e dá ao Samir)
SAMIR:–Pra que isso dona Aser?
ASER:–Não estou lhe pagando nada.É só pra compensar a espera.Se fosse pra pagar.Esse dinheiro não seria o suficiente.(Ela se despede e sai agradecida e feliz)
SAMIR:–Munheca! Uma merdinha de nada.Era melher não dar nada.