CENA III
LAERT:–Oi Vair!
EVAIR:–Laert!!! Faz o quê aqui?
LAERT:– O mesmo.
EVAIR:—Do que?
LAERT:—Do confisco.
EVAIR:—Ah não! Foi um trabalho estrategicamente planejado.
LAERT:–Caro Vair,podemos desativar arapuca. Antes de ser ativada.
EVAIR:—É pra intimidar? .Tem próblema demais por aqui.Não vamos desmoronar nada.A recompensa ainda pode ser tua..
LAERT:—Recompensa?… E a persuasão acompanha?…O pastor soubeste preparar bem.
EVAIR:–Eu persuadindo?!..Foi bom dizer…viu,que cara safado?…que bom que viu e ouviu.Aquele Pastor é um caso perdido.Queria porque queria… subornar-me com aquela conversa manhosa.E o desejo? Igreja nova… tudo novo dentro.Sem falar na participação das ofertas e dízimos..Não…claro que não concordei.Meu trabalho não caminha por esse lado.Esse Pastor hein!…Como engana bem! quem vê meu caro Laert…não diz.
LAERT:– Nem vou falar da sedução!
EVAIR:–Como sedu?…Eu é que não me viro senão!! Ainda bem que esteva ai por perto.Vai poder servir-me de testemunha.Aquele lá nem vento forte afasta do caminho.
LAERT:-Meu caro vair! Ah Vair! Foi enganado por um pastor!
EVAIR:–Foi…foi assim mesmo.O engano corrumpe.Saem do artificio,para cair,no artificial.
LAERT:–Comovido!…Estou comovido. Que gênero prefere?Drama,ou comédia?
EVAIR:–Não entendeu nada.Está trocando tudo.Este Pastor não é inocente,abra os teus olhos? Fazer algo pelos pecadores é bom.Pelos soberbos e…se fazer de inocente é demais.Um trate deste merece ser…se não paro com a conversa,era capaz de….sei lá o que.Ainda bem que o vi entrar Laert.Alívio…como me senti aliviado naquele momento.Era a esperança feito um raio de sol.Foi bom que viu o que viu e ouviu.
LAERT:–Olha bem pra mim Vair.Bem de frente.
EVAIR:–Por favor!…A..gente se vê por ai.não me faça fazer uma coisa idiota desta.O pastor foi só tomar uma fresca.Já,já está ai.Agora pode me dar lincênça e me deixar passar? (LAERT FICA SÊRIO)
LAERT:–Quantas vezes vem…tem vindo aqui?
EVAIR:–É sssó..on… ontem!!E..Ho..je!
LAERT:– Tá tremendo Vair.Vai transpirar.Diga só quantas vezes.
EVAIR:–Quer o quê? Se digo a verdade,resume,se minto,resume.
LAERT:– Fala a verdade.Ah,me esqueci,não sabe o que isto é!Nem como entrou.
EVAIR:–Mas acabei de dizer é a…a verdade.
LAERT:–E furta almas?
EVAIR:–É,o mesmo que furtar objetos.
LAERT:–Nem culpa há?
EVAIR:–Agora vai inocentar esse…esse filho da…safado.Vendeu suas ovelhas por um punhado de sucesso.Inda diz que são ovelhas remendadas.Queria,eu dei…dei,não,vendi.E é próspera a igreja que pediu.É assim que se permuta meu caro.Eu tenho,ele quer,vendo cobrando preço justo.Não dei..nem dou,vendo e bem vendido.
LAERT:–Justo?Jogando no fogo as almas deles.E,jogou com o seu jeito malicioso de jogar,trapaceando.Feito traíra.Enganando e usurprando que é pior.
EVAIR:–Tô entendendo esse seu discurso não. Quem vivi no engano,não sou eu.Não me movo pela cobiça, ou pela inveja.Uso,fomentação.Aumento a fome, pedem sustento eu dou.Não é minha a escolha,é deles.Não sou eu quem busco,são eles.Já disse tenho é dou,mas opreço é o que eu pedir.Nem mais nem menos.
LAERT:–E usa veneno,não é? A ti é permitido ultrapassar os limites? Passar por cima do arbítrio deles negando-lhes uma escolha justa?
EVAIR:–É só pra amaciar.Como a ferruem que roi o ferro.Só,pra amaciar!…Não é,mas a escolha é sempre deles.Dou somente o empurrão.caem por conta própria.
LAERT:–Tem piedade?
EVAIR:–Quem me dera poder ter. Torturar não não torturo.Preciso deles,como precisam de ti.Esse papo é antigo.Tanto eu quanto aos teus,temos o mesmo motivo,e os mesmos desejos.É pegar ou larga.Se bem que se não pegam, o jeito acaba-se sempre no mesmo lugar.E a corda aperta de uma forma ou de outra.
LAERT:–E do Gazofilácio?
EVAIR:–Foi de brincadeira. Ele acreditou?Não diga que aceitou?
LAERT:–Brincadeira né!
EVAIR:–Ainda não acostumaste com o meu jeito brincalhão?No fim me divirto bem.
LAERT:–O que quer em troca?
EVAIR:– De que?…Pode ser que o Gazofilácio não seja uma soma justa. Depois do tempo escorrido.Das horas de aflição.Do momento final.Quem sabe!…de espera incansável.
LAERT:–É ouro para nós.Quem sabe nem interessa tanto a ti.Diga o preço.
EVAIR:–Ai,a coisa toda se afirma.E o preço é o mesmo.
LAERT:–A prómissoria fica comigo,ou prefere ignorar?
EVAIR:–pró…mis..soria? Tá fando do que?
LAERT:–Sabe muito bem do que? Está no seu poder.
EVAIR:–Vai agora bisbilhotar vidas alheia? Vai agora desandar o fermento?
(EVAIR FICA NERVOSO)
LAERT:–Quem gosta de flores,se precave dos espinhos.Não se colhe rosas sem se precaver dos espinhos meu caro Vair.
EVAIR:–Bobagem!…Não é tão importante assim.Nem correria atrás d’um pingo no meio do nada.Sofreria eu pra que? Por uma bosta de nada? Nem vale tanto trabalho o passe dele.Só de ter que renovar tudo,já me cansa o pensar.
LAERT:–Não entendes o verdadeiro valor do prazer tchau!( LAERT VAI SAIR,MAS ELE O DETÉM)
EVAIR:–Mostre o que é pelo menos.( LAERT,DE LONGE,ABRE A BOLSA,RETIRA DE DENTRO UM ROLO,MOSTRA)-.Quero examinar primeiro ora. ( LAERT,VEM,ENTRGÁ-O O ROLO.ELE LHE DÁ A NOTA PRÓVISORIA,ELE SAI RÁPIDO).-Em branco!!!Tudo em branco! Em branco mesmo! Tapeado!Totalmente tapeado!.Vair ter o troco! Vair ter…