Monday, March 30, 2009

CENA VI

( Luiz,está andando de um lado pro outro.Ora assenta,ora anda.Esfrega as mãos. Lúcio, saiu para comprar o lancha e não volta de imediato).
LUIZ: - Fugiu! Ele fugiu! Fui um imbecil! Eu é quem devia ter indo comprar o lanche. Que direi ao patrão? Vou ser o mimo do sacrifício.Pagar por um crime que não cometi.Se ele se for,quem paga a dívida sou eu.E a culpa nem minha é.Quem vai provar a minha inocência?Ninguém conhecem a verdade.Que verdade há nisto tudo.E o objeto,que valor teria pra valer tanto? ( LÚCIO chega tão de mansinho,que parecia um gato andando em cima de tapetes fofos.Finge nada ouvir.)
LÚCIO: - Que foi? Que cara é essa? (LUIZ,não sabia se ria,se gritava,ou se chorava)
LUIZ: -É só nervosismo mesmo.Que trouxe pra este leito de mortos?(LÚCIO,trazia sacolas,uma em cada mão)
LÚCIO: -Pão,mortadela e minalba.
LUIZ: - É isto que a gente come hoje? Pão,mortadela e minalba?Isto não dá sangue gente!
LÚCIO: - É o que pude achar.O supermercado fica muito longe.Além do mais é domingo, e,é tarde,muito tarde.
LUIZ: - Pão com mortadela! É o fim da picada!
LÚCIO: - Pra última refeição d’um afogado, e atolado em lodos. Nos países que têm a pena de morte.O moribundo,come na sua última refeição,aquilo que quiser comer.O sujeito vai morrer mesmo.Pede coisas que em vida não teve.
LUIZ: - Mas pra gente não.É pão com mortadela.Pra que dizem: “que ele descanse em paz”.Será que além de descanso,lá não existe paz? Imagina eu chegando no quinto andar, e perguntam :-Comeu o quê naquela noite de infortúnio?Respondo…(CORTANDO)
LÚCIO: - Chega desse assunto chato.Essa repetição nojenta.Esse cochichamento nas costas da gente.Essa falcidade da pele.Chega de tudo.Chega!!!Não dá pra ficar fantasiado.O dia não espera.A hora é chegada.O patrão está atrasado,mas vem.Uma resolução a gente tem que apresentar.O precioso dele sumiu.Ele foi bem claro,quando o apresentou dizendo que era a coisa mais importante em todo o seu erário.(Luis, assentou-se no chão.Ficou observando,por muito tempo o teto.Lúcio por sua vez,fica parado olhando as sacolas,abrindo o pãp com as mãos e colocando a mortadela.Luiz pega um e o guaraná com cara de nojo e come também.Lúcio, levanta.Vai até o corredor.Abri a porta,entra.Luiz continua a olhar para o teto.Ouve-se o tilintar de um aparelho celular.Lúcio,sai correndo coma as mãos molhadas.Abri uma das sacolas.Pega o aparelho e atende):- Foi o que eu disse.É domingo sei,só que o patrão ainda não deu as caras aqui.Como vou fazer isto estando aprisionado neste…?Só pode ser amanhã.Agora? Agora não dá! Isto não,não é possível! Tem,tem,tanto ele quanto eu(Luiz neste instante está aparelhado com Lúcio pra ouvir a conversa),um não pode sair e o outro ficar.Daqui a pouco o patrão chega,a gente sai.(Lúcio tem em seu semblante estampada a tristeza quando diz cada palavra)Sim,resolvo tudo numa boa! Pra ti também!(Desliga o telefone)
Luiz:-Não é mais proibido trazer celular pra cá?(Lúcio,símplimente dá uma olhada.Volta ao que estava fazendo.Depois entra para no corredor.(Sozinho,Luiz começa a fazer insinuações).Falava com quem? Foi ele mesmo,foi sim! O patrão foi bem claro,quando diz que não permitia o uso de aparelho celular na hora do trabalho.Atrapalha o serviço dos outros. Deus, como atrapalha! Dúvida não há.Se é um de nós dois…o telefonema,as palavras cortadas ao meio.Tudo é muito esquisito.Alguém roubou.Se não fui eu…quem foi? Tem mais alguém aqui além de nós dois? Não tem.Quem comprou o terreno da dona Aser? Quem…(Quando ia completar a frase,Lúcio chaga com um sorriso nos lábios).
LÚCIO: - Vou me deitar um pouco aqui.Tomei uns comprimidos pra aplacar a dor de cabeça.Se eu dormir não me acorde.Só quero acordar quando o patrão adentrar por aquela porta ali.(Aponta pra porta)
LUIZ: - Vai me deixar só de novo.Fomos contratados para trabalhar,não pra dormir.
LÚCIO: - Me deixa tá,a vida já me amolou o bastante.Que sonolência!(Abri a boca) Este remedinho faz um redemoinho na cabeça da gente.(LÚCIO dorme.Luis aproveita e dorme também.Depois de muito tempo,Luiz levanta meio sonolento.Sacode o colega.LÚCIO não dá sinal de vida alguma.Luiz coloca a mão no pulso dele,o pulso está parado.O coração não bate).
LUIZ:-(Apavorado)Desgraçado,desgraçado,desgraçado!!!(Luiz sai correndo até atravessar a porta do corredor.Volta,remexe os bolsos de Lúcio) Nada.Este maldito não deixou um só comprimido.(Ouve-se ao fundo O PATRÃO NOSSE DE CADA DIA,do grupo SECOS&MOLHADOS.No momento em que Luiz ouve o último tocar do sina na música,diz):–Era só de brincadeira…não falei pra comprar comprimidos! Era brincadeira!
Posted by Camuccelli at 19:44:59
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