Monday, March 30, 2009

CENA V

(Samir tinha acabado de arrumar as poucas mercadorias que restava na prateleira,quando o jovem entra na sua venda.O mesmo Jovem do inicio).

SAMIR:-Se vem buscar mais bucho de bode pra sua mãe,pode dar meia volta.Olha nas prateleiras.
JOVEM: -Ih,né isso não! Vim por que tão dizendo no bairro,a dona Aser sumiu.Que o senhor foi a última pessoa que a viu. (Samir pára o que fazia,olha assustado para o jovem)
SAMIR: -O povo diz o que? a dona Aser o que moleque?
JOVEM:–Moleque não.É isto que circula aí pelo bairro.Vai me dizer que não sabe?Desde sexta-feira ela está desaparecida.Uma pessoa viu a dona Aser entrar aqui com uma sacola na mão,e saiu sem ela.Desde sexta-feira ninguém vê a dona Aser.Mas,essa pessoa jura que viu ela sair daqui.Depois sumiu.
SAMIR:-Dona Aser sai daqui e some?Some como?Ninguém some assim.
JOVEM: Outros acreditam que ela está morta.Sai um cheiro forte da porta da casa dela.É de corpos se decompondo.Ela mora sozinha,o senhor sabe.Em três dias,o corpo incha e fede.(Samir corta angustiado,começa a mistura as palavras).
SAMIR:-Tem cheiro de morte? Sai pra lá mentiroso.Essa gente não tendo o que dizer,inventa.É pra botar medo em nós.Nós num crê em nada disto.
JOVEM:–E cada um diz uma coisa.Sabe como é,uma pessoa some….logo a dona Aser,uma velhinha tão comunicativa,simpática! Pra mim está morta lá naquele mausoléu.Vão ter que arrombar a porta pra retirar o corpo pobre.A morte não escolhe cara,nem lugar,hora,muito menos! Tá aqui,num minutinho cai morto!
SAMIR:-(Nervoso e confuso) Falaram mais o que?
JOVEM:-O que estou relatando.Fatos, são fatos.E eles dizem por si.
SAMIR:-É tudo mentira! Conversa de gente sem o que fazer.Dona Aser…a dona Aser não ia fazer uma bobagem dessa.Justo com nós!
JOVEM:–A gente não escolhe a morte seu Samir.É a morte quem escolhe a gente.Chegou a hora,chegou a hora,ponto.Quando o povo fala,é bom não duvidar.O cheiro podre se espalha infestando tudo.O cheiro é o delator.O povo do bairro? Sentirá a falta dela.Fazer o que,morreu,acabou!
SAMIR:–É uma bicho morta lá dentro.A dona Aser saiu pra visitar a irmã.Nós tá é preocupado com o que levaram de nós.Cada um que resolva os seus próblemas.Pode dar licença pra nós,já que nada vai comprar.Dona Aser tem parente que cuida dela.Morta ou viva,a verdade também vem a tona.Pode sair agora.Nós vai dar uma caminhada.Nós tá muito abafado aqui.Nós precisar de ar.
JOVEM:-Nossa seu Samir.Vim na maior.Achei que o senhor também gostasse de dona Aser.Nossa que vexame!
SAMIR:-Al Alsair,pra você! Al Alsair.Gostá nós gosta.Agora pode ir,nós já sabe da novidade,fofoqueiro!(O jovem sai irritado, Samir anda de um lado para o outro)E agora Alá? o senhor exagerou.Primeiro,manda aqueles ladrão limpar a venda de nós.Entra a dona Aser com este dinheiro todo.(Aponta para dentro)Que quer o senhor agora hein! Botar nós de conta a parede?Fuzilar nós com sentimento? Não, o senhor não pode fazer isto com nós.Ah,Alá, não deixar nós cair em tentação.Se alguém descobre. E o cara que comprou o terreno quem será ele?Foi o dono do dinheiro.Um dinheiro sem sorte na mão de nós,sem dono.Vamos ter que esperar algum tempo pra….Não deixar nós cair em tentanção.Terá alguém o conhecimento do dinheiro? (Pausa)Todo mundo sabe que nós está sem nada.Que nós foi….que brasa o senhor colocar nas mãos de nós.Atado agora nada nós poder fazer.Ah,Alá! Ah,Alá!(Cai de joelhos no chão.A cena é de um desesperado).

Posted by Camuccelli at 19:45:52
Comments

Leave a Reply