Monday, March 30, 2009

CENA IV

(Lúcio, levanta,dá uma espreguiçado,olha em volta,sai em direção à porta.Pega a chave,abre-a.Volta cabisbaixo e acorda Luiz)
LÚCIO: - Acorda Luiz! Vai dormir a noite toda? Vigias são pagos pra vigiar,não pra dormir.Acorda!
(Luiz,acorda meio com preguiça)LUIZ: - Já amanheceu?LÚCIO: - Graças a Deus não! Bom seria se não amanhecesse nunca mais.
LUIZ: - Vou colocar um pouco de água nas mãos pra lavar os olhos.Acaba com o sono.(Sai pro banheiro)

LÚCIO: –Se preocupar pra que.Não vamos acorda mais.O amanhã!…Se é que vamos precisar dele lá pra onde o corpo vai!
LUIZ: - ( Volta com o rosto molhado)Enquanto lavava os olhos.Me lembrei de uma coisa.Quem lhe deu o dinheiro pra comprar o terreno da dona Aser?Você contava pra todo mundo lá no bar.Festejava a compra.Quem lhe deu o dinheiro?
LÚCIO: - ( Lúcio olha-o meio de lado) Como o que?
LUIZ:–De onde saiu o dinheiro,só isto.
LÚCIO: –Não estou autorizado a lhe dizer no momento.
LUIZ: — No momento? Mas vai dizer?
LÚCIO: –Sob coação never!
LUIZ: –Meu Deus do céu! Achei que éramos amigos.De amigo nada se esconde.
LUZ: –Há no seu tom de voz insinuações.Não gosto de insinuações.Amigo não julga.Amigo entende.
LUIZ: –Depende do que estiver em jogo.É jogo aberto.Aqui um depende e defende a vida do outro.
LÚCIO: –Sem essa de falso moralismo.A gente nem amigo é,se fosse,questionava como se pluma fosse.Não pesava a mão sobre o que pensasses, nem julgavas.Ainda que fosse penoso e certeiro feito o raio.
LUIZ: - (Concluí) A coroa estaria intacta.O nosso valioso metal, no seu lugar estaria.A gente é amigo sim.Diga o que fez.Assim evita duas mortes numa noite só.Salva a sua cabeça e a minha.Já que o papo está no nível que tá.
LÚCIO: - Aí tem razão.O teu é o mais importante.Salva-se a luva, e fende-se os dedos.
LUIZ: - Assim que o patrão entrar por aquela porta.Direi a verdade.Salvo o meu,se é o quer saber.
LÚCIO: — O diabo é que a vida se esvai feito a água numa peneira.Se a gente parasse pra pensar…Se se mordesse menos.
LUIZ: –Dinheiro não caí nas mãos assim.De algum lugar saiu. Alguma coisa vendeu pra adquiri o tal terreno.É o álibi que tenho. é o que acho.
LÚCIO: - Prestou atenção? Até agora só fez me condenar.Não parou um segundo pra ouvir o meu lado.Que te importa de onde saiu o dinheiro? Era meu! A mim interessa,só a mim.Dou a explicação que me aprove dar.
LUIZ: –E o porém? Há sempre um porém! O dia não espera as suas resoluções.Tem hora pra tudo.O sol tem seu turno.Não atrasa.Com,ou sem explicação ele segue o seu rumo…eu nada comprei.A morte é sua não minha,a mim não acompanha.
LÚCIO: - Acompanha sim.Ah acompanha!

( Dá-se alguns segundos de silêncio.Apenas pra pensar um pouco mais no que aconteceu.Os dois andam de um lado a outro,tentando buscar saída).
LUIZ:-Ao invés de terreno.Um seguro de vida,não teria sido melhor? A sua mulher levaria uma vida farta.
LÚCIO: —É pra rir, ou é pra chorar?
LUIZ: - A sua mulher ia agradecer.A família com o futuro garantido.Além do dinheiro angariado com a venda do objeto do furto.Tinha o seguro de vida, pra bancar a farra.Devia ter pensado melhor.Terreno!..É,quem compra terra não erra.Tá falado!
LÚCIO: - Já disse que não roubei nada.Essa conversa já começa a encher.
LUIZ: - Convencer é que é o difícil..
LÚCIO: -Nada posso fazer.Se comover o seu coração com explicação curtinha,fosse o mote.Seria o relatório mais sensato.Esse gostinho não vou lhe dar.
LUIZ: - Que amigo! Depois disto,fica se achando.Tentando se colocar contra o meu próprio sentimento.Palavras suaves,não suavisa a queda meu chapa.Se roubaste,dê ao roubo um cunho melhor.
Lúcio:—É termo perdido.E o tempo é o nosso maior inimigo.A mesmo coisa posso pensar do nobre colega.
LUIZ:—Pode não.Apresento-lhe na minha defesa,a verdade.Não há nada mais convincente do que a verdade.
LÚCIO:–A sua verdade.Desde quando a sua verdade serve de base pra incriminar alguém?
( Luiz nada diz.Olha-o como se queisse dizer,mas,não diz.Há um longo silêncio.)
LUIZ:–Eu devia ter dedicado mais a mim…um indivíduo que faz as coisas com relaxamento,cuidando apenas do seu parecer…comprimidos…tomar soníferos apaga,a gente nunca vai saber que morreu..e morrer é feito dormir? Peder a vida por tão pouca coisa! Ainda que seja por ouro.Ouro é eterno,a gente não.A gente vai,e o ouro fica.(Novamente o silêncio)

Posted by Camuccelli at 19:46:45
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