Monday, March 30, 2009

SOLDO E SOMBRAS

 
                  
SOLDO E SOMBRAS
                                 Cenário:
(Uma venda,com tudo aquilo que tem numa venda.Carne de pendurada.Utensílios domésticos.
Em geral.O texto tem três(3) personagens.E são interpretados por homens.
O senhor Samir Al Alsair,está abrindo as portas do estabelecimento,quando um jovem entra).

Jovem: - Bom Dia seu Samir!
SAMIR: - Al Alsair! Al Alsair!
Jovem: - O senhor tem bucho de bode,seu Al Alsair?
SAMIR: - Tem!Vamos ter festa hoje é? Bucho de bode, é chama que festa pede.
JOVEM: - Sei lá! É a mãe quem quer.(Ele apanha o jornal,põe o bucho seco.O jovem paga e leva.Dona ASER entra no estabeleci mento com uma sacola nas mãos)
SAMIR: - É dia de festa mesmo! Nem bem está aberto,já tem o entra-e-sai.
D.ASER: - Seu Samir, bom dia!.Lembra do terreno que eu tinha pra venda?
SAMIR: -É Al Alsair dona Aser!Lembro! O que tem?vendeu ele?
D.ASER: - A custa de muita espera vendi.
SAMIR: - Fez bem! É tudo tão demorado nos dia de hoje! O dinheirinho vem numa boa hora.Quem não tem dinheiro,nada vale neste mundo,dona Aser!
D.ASER: -Olha que o ser humano é precioso!..Pensei comigo pelo caminho…com esse dinheiro todo guardado em casa… Casa de mulher sozinha…quem sabe o seu Samir?… Seu Samir não há de se negar em guardar esse dinheiro pra mim?
SAMIR: - O que nós puder fazer,nós faz Dona Aser.Mas,nessa de guardar dinheiro,nós num pode.Dinheiro é feito roupa,tem de andar gruda ao seu dono.Cada um tem o seu cofre particular.É seu,proteja!
D.ASER: - ( Retirando um pacote da sacola) Aqui está! O senhor não vai me deixar andar por aí com uma quantia desta embrulhada num papel de pão,vai?
SAMIR: -(Samir esquece tudo que disse) Isto Daqui é o dinheirinho da senhora? Alá!!!(Ela assente com a cabeça que sim) Mas,…mas! É doideira!Não pode andar por aí com isto assim.
D.ASER: - Foi o moço que me deu.Eu não posso andar com isto por ai,posso?(D.Aser se depende e sai).Vou deixar,depois volto e pego (D.Aser se depende e sai).
SAMIR: - Alá! nós vai fazer o que agora?(Sai,corre até os cômodos de dentro.Guarda o dinheiro.Volta) Só nós sabe aonde está,de tão bem guardado que ficou.(Mal acabou de dizer.Dos jovens adentra na venda.Um Pará perto da porta.O outro vai até o balcão conversando).
Pessoa 1: -Por um acaso tem o senhor ai trigo para fazer kibe?
SAMIR: - Tem não senhor,mas,temos…( O jovem não o deixa completar)
Pessoa 1: - E água de flor de laranjeira,ou hortelã?
SAMIR: - É do mesmo jeito do trigo.As pessoas aqui do bairro não usa ingredientes do terra da gente. Se nós
compra,nós tem de jogar tudo fora.Fica tudo ai encalhado.
Pessoa 1: - Não te disse que esse árabe diaraque não vendia estas coisa? (O jovem que ficou encostado na porta.Fecha a porta,retira da cinta a arma)
Pessoa 2 : - Bala pra arma o senhor tem, não tem?!

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CENA II

CENA II
Há agora um corredor.No fundo do corredor uma porta entre-aberta.Lúcio e Luís entram conversando e rindo muito.

Lúcio: - …E aquela da velha…aquilo é de matar!Não sabia se ia,ou se ficava.
luiz: - Parecia não querer acabar mais. O outro rolava no chão de tanto rir.As horas passando,a gente ali se debatendo aos prantos,e de riso boca-a-boca.
Lúcio: - (vê a porta entre-aberta,mas ignora).Sujeito sujo!…A gente?…Quase comecei a contar aquele causo antigo.Aquele do…do…
luiz: - Viu a cara deles quando a gente disse…aqui estamos dando as nossas escapadinhas.Mas, é hoje só! (Risos)
Lúcio: - ( Lúcio,fala olhando para a porta). Deixamos a porta aberta quando saímos?A gente não devia esquecer isto!
luiz: - Não.Trancamos a porta antes de sair.Vou ver lá dentro.( Vai,volta aos berros),o pre..cio..o.. precioso…prici…meu Deus!
LÚCIO: - Calma! (Segura-o pelo braço) Respira!…Conta em decrescente mentalmente.Calma.assim não entendo nada.Calma!
luiz: - (Vai se acalmando,contando lentamente) O precioso! Su..mi..u!!! sumiu o precioso do patrão!
LÚCIO: - Se esgragular não vai adiantar.É manter a calma!
luiz: - Calma demais é vício! Algo tem de ser feito.Não dá pra ter calma numa hora dessa.
Lúcio: - É o que penso também. Agora está feito,está! Vamos raciocinar!
luiz: - Se não me arrastasse.Nada disto tinha acontecido.Vigiar é vigiar.Eu não queria ir,não queria.
Lúcio: - Vem não! Também gostou!Ria feito uma hiena.
luiz: - E amanhã quando o patrão vier pra aprovar o serviço?.O que vamos dizer a ele?
LÚCIO: - Nada! Ele entra.Verifica,vê o fato.Depois…nos manda pra guilhotina.
luiz: - Eu tinha de lhe acompanhar!!(Lúcio vai medindo com os olhos os canto e andando com as mão para trás).
LÚCIO: - Quem veio…entraria por aquela porta.Outra entrada não há.Se ao menos tivesse uma pista? Um sinalzinho só!
luiz: - De tão cauteloso,me falta…se não tivéssemos ido contar piadas.ido pro meio de malucos.
LÚCIO: -Chorar não adianta.Manter a calma é o melhor remédio.Repetir também não leva à lugar nenhum.
luiz: - É fácil falar,quando não é o seu que está na reta.
LÚCIO: - É o que você quem diz.Para o Patrão não há acepção,os dois,é responsabilidade dos dois.
luiz: - Malditos minutinhos desperdiçados….quem teria entrado aqui,pra levar uma coisa só?
LÚCIO: - Uma coisa eu acho.É plano perfeito. Senão o Precioso estaria lá no lugar de sempre.
luiz: - Com tanta coisa pra roubar.Ouro,prata.Foi escolher logo o Precioso.Justo o que ele mais recomendou.Defunto encomendado não entra no céu.É que sempre digo.
LÚCIO: - É o que eu digo também!Foi de plano feito.Foi alguém que sabia o que queria.E conhece todos os nossos passos.
luiz: - Amanhã!!!Amanhã quando o sol entrar por aquela fresta(Aponta na direção de uma minúscula janela).É o último minutos de nós dois.O patrão não vai deixar de graça, se nos advertiu tanto sobre aquela coisas valiosa dele.
Lúcio:–Há sempre uma saída.Nenhuma gota cai no chão sem propósito.
(Os dois caem exaustos no chão, um pra cada lado)

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CENA III

( Dois soldados tomando nota.Samir mostra à eles canto a canto.Vai contando o ocorrido,eles anotando num caderninho)
SOLDADO I: — Um estava parado ali na frente da porta,é isto?
SAMIR: - É como nós disse pro senhor.O que parou na frente da porta,não deixou ninguém entrar.
SOLDADO II: -O senhor não disse que estava sozinho na hora do roubo?
SAMIR: –Nós já não lembrar de mais nada. Se nós tá dizendo que foi assim.Assim foi.
SOLDADO I: - O senhor está nervoso. Comecemos do primeiro ponto endiante.É assim que procede as investigações.Temos que colher o máximo de evidências. Cada detalhe é importante.Uma coisa tem que se encaixar com a outra.Aqui o senhor empilhou as compras,certo? (Aponta para o canto)
SAMIR: - É isto! Levaram tudo que eu tinha comprado.A gente re-põe as mercadorias,senão a venda não é venda.Sem mercadoria,nós não pode continuar a vender.Nós num vende vento.
SOLDADO II: - Até aí entendemos.O que não encaixa, é os dois aí perdendo tempo com conversa. Não tinha ninguém mais além dos dois?Carregaram as compras em carrinho de construção?
SAMIR: -No caminhão deles suponho!Dois entra,outros fica lá do lado de fora esperando a hora de entrar. É assim que funciona,não é?
SOLDADO I: - Como sabe que funciona assim? Deram dicas ao senhor? Carregaram pacote por pacote?Na certeza,não na suposição.Que o senhor supõe!
SOLDADOII: - Está muito esquisito esse roubo.O senhor disse que adormeceu. Lhe bateram!
SAMIR: - Já disse, foram lá dentro.Pegaram um copo com água e me deram.Eu estava muito nervoso.Acho que puseram alguma coisa pra eu dormir.
SOLDADO II: - Bateram ou não bateram no senhor?
SOLDADO I: - Tá meio sem rumo isto aqui!
SAMIR: - Tá não senhor! Sei muito bem o que é o certo! Já disse que entram.Carregaram,me deram um copo com água… acordei com tudo limpo.É tudo que sei.Não tem nada nas prateleiras,têm?
SOLDADO I: - Come é mesmo o nome do senhor (Examina a prancheta que trás na mãos)? Ah, samir!…Samir Al Alsair.Então seu al Alsair.O que o meu colega quer dizer…pra agilizar a parada com mais agilidade.Tem de rolar um….
SAMIR: - É de agilidade que nós precisa.Traduza isto para o português.
SOLDADO II: - É o caso d’uns dois ou três paus só.
SAMIR: - Que quer dizer o quê?
SOLDADO I: - ( Chama o colega num canto e conversam).Tá ficando doido.É muito pouco.( Voltam para Samir)
Deve dar uns dez por centro do valor, no valor da carga roubada.Ainda tem o se a encontrar.Estamos praticamente nos endividando,e acabamos sendo lesados,se concordar com pouca coisa.O senhor paga,a gente devolve.Um ajuda o outro.
SAMIR: - Quer tirar de nós o que nós não tem? Nem vai respeitar o meu direito de cidadão? Nós aqui,paga taixas disto,taixas daquilo.Impostos,alvará aluguel do ponto.Nós não vai dar nada.Isto é um serviço prestado com obrigação de vocês.
SOLDADO I: - (Chama de novo o colega no canto) Esse ai é osso duro.Isto pode dar cana.A gente disfarça,chama o homem noutra conversa, e encerra a parada.(O soldado II concorda franzindo a testa)
SAMIR: - Como é! Vai ficar ai de segredinho até quando? Nós tem serviço pra fazer! Tem de ter uma solução logo.
SOLDADO I: - O senhor está com sorte,seu Al Alsair.Devido ao caráter do miliante,e da dureza da situação.Chegamos a um acordo.Ou seja, é tudo feito sob a lei.
SAMIR: - Que fora da lei não há salvação.
(Os soldados rabiscam alguma coisa na prancheta, saem em seguida.Samir se sentindo aliviado,vai até a porta,fecha-a).
SAMIR—O dinheirinho da dona Aser!! (Sai correndo para os fundos.Depois volta.Vem de lá com o pacote de dinheiro nas mãos).
SAMIR–Alá, Alá! Ainda bem que no dinheirinho da dona Aser,ninguém tocou.(Começa a fazer um tipo de ritual,ajoelha,levanda) Por que Alá? Como foi fazer isto com nós? Primeiro manda os ladrão.Depois manda outros piores. Aqueles polícias ia tira de nós o que nós não tem. Que faz nós agora?(Tem um pouco de atrito consigo.Reflete e conclui).Nós pega emprestado com a dona Aser um pouquinho desse dinheiro.Compra outras mercadorias.Assim nós resolve a situação da venda.Nós resolve tudo.Ah,Alá! Parece que foi tudo feito do mal pro bem.(Samir confiante).A dona Aser não vai deixar um amigo morrer afogado.É a saída que nós tem.Os ladrões entraram para pegar a água,remexeram tudo,e só leva as mercadorias.Se me leva o dinheiro da dona Aser!.. Eu tava ferrado.Além das mercadores,ia ter que pagar esse montão de dinheiro também.Já dou por perdido as mercadorias.Eles investiga,mas não chega a nada.O mais certo é tomar emprestado na mão da dona Aser,e botar uma pedra em cima.Esquecer mesmo.De tão escondido que o dinheiro tava,ninguém ia encontrar.(Samir alisa o dinheiro.Embrulha-o novamente.Entra para os fundos da venda para devolvê-lo ao seu esconderijo).
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CENA IV

(Lúcio, levanta,dá uma espreguiçado,olha em volta,sai em direção à porta.Pega a chave,abre-a.Volta cabisbaixo e acorda Luiz)
LÚCIO: - Acorda Luiz! Vai dormir a noite toda? Vigias são pagos pra vigiar,não pra dormir.Acorda!
(Luiz,acorda meio com preguiça)LUIZ: - Já amanheceu?LÚCIO: - Graças a Deus não! Bom seria se não amanhecesse nunca mais.
LUIZ: - Vou colocar um pouco de água nas mãos pra lavar os olhos.Acaba com o sono.(Sai pro banheiro)

LÚCIO: –Se preocupar pra que.Não vamos acorda mais.O amanhã!…Se é que vamos precisar dele lá pra onde o corpo vai!
LUIZ: - ( Volta com o rosto molhado)Enquanto lavava os olhos.Me lembrei de uma coisa.Quem lhe deu o dinheiro pra comprar o terreno da dona Aser?Você contava pra todo mundo lá no bar.Festejava a compra.Quem lhe deu o dinheiro?
LÚCIO: - ( Lúcio olha-o meio de lado) Como o que?
LUIZ:–De onde saiu o dinheiro,só isto.
LÚCIO: –Não estou autorizado a lhe dizer no momento.
LUIZ: — No momento? Mas vai dizer?
LÚCIO: –Sob coação never!
LUIZ: –Meu Deus do céu! Achei que éramos amigos.De amigo nada se esconde.
LUZ: –Há no seu tom de voz insinuações.Não gosto de insinuações.Amigo não julga.Amigo entende.
LUIZ: –Depende do que estiver em jogo.É jogo aberto.Aqui um depende e defende a vida do outro.
LÚCIO: –Sem essa de falso moralismo.A gente nem amigo é,se fosse,questionava como se pluma fosse.Não pesava a mão sobre o que pensasses, nem julgavas.Ainda que fosse penoso e certeiro feito o raio.
LUIZ: - (Concluí) A coroa estaria intacta.O nosso valioso metal, no seu lugar estaria.A gente é amigo sim.Diga o que fez.Assim evita duas mortes numa noite só.Salva a sua cabeça e a minha.Já que o papo está no nível que tá.
LÚCIO: - Aí tem razão.O teu é o mais importante.Salva-se a luva, e fende-se os dedos.
LUIZ: - Assim que o patrão entrar por aquela porta.Direi a verdade.Salvo o meu,se é o quer saber.
LÚCIO: — O diabo é que a vida se esvai feito a água numa peneira.Se a gente parasse pra pensar…Se se mordesse menos.
LUIZ: –Dinheiro não caí nas mãos assim.De algum lugar saiu. Alguma coisa vendeu pra adquiri o tal terreno.É o álibi que tenho. é o que acho.
LÚCIO: - Prestou atenção? Até agora só fez me condenar.Não parou um segundo pra ouvir o meu lado.Que te importa de onde saiu o dinheiro? Era meu! A mim interessa,só a mim.Dou a explicação que me aprove dar.
LUIZ: –E o porém? Há sempre um porém! O dia não espera as suas resoluções.Tem hora pra tudo.O sol tem seu turno.Não atrasa.Com,ou sem explicação ele segue o seu rumo…eu nada comprei.A morte é sua não minha,a mim não acompanha.
LÚCIO: - Acompanha sim.Ah acompanha!

( Dá-se alguns segundos de silêncio.Apenas pra pensar um pouco mais no que aconteceu.Os dois andam de um lado a outro,tentando buscar saída).
LUIZ:-Ao invés de terreno.Um seguro de vida,não teria sido melhor? A sua mulher levaria uma vida farta.
LÚCIO: —É pra rir, ou é pra chorar?
LUIZ: - A sua mulher ia agradecer.A família com o futuro garantido.Além do dinheiro angariado com a venda do objeto do furto.Tinha o seguro de vida, pra bancar a farra.Devia ter pensado melhor.Terreno!..É,quem compra terra não erra.Tá falado!
LÚCIO: - Já disse que não roubei nada.Essa conversa já começa a encher.
LUIZ: - Convencer é que é o difícil..
LÚCIO: -Nada posso fazer.Se comover o seu coração com explicação curtinha,fosse o mote.Seria o relatório mais sensato.Esse gostinho não vou lhe dar.
LUIZ: - Que amigo! Depois disto,fica se achando.Tentando se colocar contra o meu próprio sentimento.Palavras suaves,não suavisa a queda meu chapa.Se roubaste,dê ao roubo um cunho melhor.
Lúcio:—É termo perdido.E o tempo é o nosso maior inimigo.A mesmo coisa posso pensar do nobre colega.
LUIZ:—Pode não.Apresento-lhe na minha defesa,a verdade.Não há nada mais convincente do que a verdade.
LÚCIO:–A sua verdade.Desde quando a sua verdade serve de base pra incriminar alguém?
( Luiz nada diz.Olha-o como se queisse dizer,mas,não diz.Há um longo silêncio.)
LUIZ:–Eu devia ter dedicado mais a mim…um indivíduo que faz as coisas com relaxamento,cuidando apenas do seu parecer…comprimidos…tomar soníferos apaga,a gente nunca vai saber que morreu..e morrer é feito dormir? Peder a vida por tão pouca coisa! Ainda que seja por ouro.Ouro é eterno,a gente não.A gente vai,e o ouro fica.(Novamente o silêncio)

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CENA V

(Samir tinha acabado de arrumar as poucas mercadorias que restava na prateleira,quando o jovem entra na sua venda.O mesmo Jovem do inicio).

SAMIR:-Se vem buscar mais bucho de bode pra sua mãe,pode dar meia volta.Olha nas prateleiras.
JOVEM: -Ih,né isso não! Vim por que tão dizendo no bairro,a dona Aser sumiu.Que o senhor foi a última pessoa que a viu. (Samir pára o que fazia,olha assustado para o jovem)
SAMIR: -O povo diz o que? a dona Aser o que moleque?
JOVEM:–Moleque não.É isto que circula aí pelo bairro.Vai me dizer que não sabe?Desde sexta-feira ela está desaparecida.Uma pessoa viu a dona Aser entrar aqui com uma sacola na mão,e saiu sem ela.Desde sexta-feira ninguém vê a dona Aser.Mas,essa pessoa jura que viu ela sair daqui.Depois sumiu.
SAMIR:-Dona Aser sai daqui e some?Some como?Ninguém some assim.
JOVEM: Outros acreditam que ela está morta.Sai um cheiro forte da porta da casa dela.É de corpos se decompondo.Ela mora sozinha,o senhor sabe.Em três dias,o corpo incha e fede.(Samir corta angustiado,começa a mistura as palavras).
SAMIR:-Tem cheiro de morte? Sai pra lá mentiroso.Essa gente não tendo o que dizer,inventa.É pra botar medo em nós.Nós num crê em nada disto.
JOVEM:–E cada um diz uma coisa.Sabe como é,uma pessoa some….logo a dona Aser,uma velhinha tão comunicativa,simpática! Pra mim está morta lá naquele mausoléu.Vão ter que arrombar a porta pra retirar o corpo pobre.A morte não escolhe cara,nem lugar,hora,muito menos! Tá aqui,num minutinho cai morto!
SAMIR:-(Nervoso e confuso) Falaram mais o que?
JOVEM:-O que estou relatando.Fatos, são fatos.E eles dizem por si.
SAMIR:-É tudo mentira! Conversa de gente sem o que fazer.Dona Aser…a dona Aser não ia fazer uma bobagem dessa.Justo com nós!
JOVEM:–A gente não escolhe a morte seu Samir.É a morte quem escolhe a gente.Chegou a hora,chegou a hora,ponto.Quando o povo fala,é bom não duvidar.O cheiro podre se espalha infestando tudo.O cheiro é o delator.O povo do bairro? Sentirá a falta dela.Fazer o que,morreu,acabou!
SAMIR:–É uma bicho morta lá dentro.A dona Aser saiu pra visitar a irmã.Nós tá é preocupado com o que levaram de nós.Cada um que resolva os seus próblemas.Pode dar licença pra nós,já que nada vai comprar.Dona Aser tem parente que cuida dela.Morta ou viva,a verdade também vem a tona.Pode sair agora.Nós vai dar uma caminhada.Nós tá muito abafado aqui.Nós precisar de ar.
JOVEM:-Nossa seu Samir.Vim na maior.Achei que o senhor também gostasse de dona Aser.Nossa que vexame!
SAMIR:-Al Alsair,pra você! Al Alsair.Gostá nós gosta.Agora pode ir,nós já sabe da novidade,fofoqueiro!(O jovem sai irritado, Samir anda de um lado para o outro)E agora Alá? o senhor exagerou.Primeiro,manda aqueles ladrão limpar a venda de nós.Entra a dona Aser com este dinheiro todo.(Aponta para dentro)Que quer o senhor agora hein! Botar nós de conta a parede?Fuzilar nós com sentimento? Não, o senhor não pode fazer isto com nós.Ah,Alá, não deixar nós cair em tentação.Se alguém descobre. E o cara que comprou o terreno quem será ele?Foi o dono do dinheiro.Um dinheiro sem sorte na mão de nós,sem dono.Vamos ter que esperar algum tempo pra….Não deixar nós cair em tentanção.Terá alguém o conhecimento do dinheiro? (Pausa)Todo mundo sabe que nós está sem nada.Que nós foi….que brasa o senhor colocar nas mãos de nós.Atado agora nada nós poder fazer.Ah,Alá! Ah,Alá!(Cai de joelhos no chão.A cena é de um desesperado).

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CENA VI

( Luiz,está andando de um lado pro outro.Ora assenta,ora anda.Esfrega as mãos. Lúcio, saiu para comprar o lancha e não volta de imediato).
LUIZ: - Fugiu! Ele fugiu! Fui um imbecil! Eu é quem devia ter indo comprar o lanche. Que direi ao patrão? Vou ser o mimo do sacrifício.Pagar por um crime que não cometi.Se ele se for,quem paga a dívida sou eu.E a culpa nem minha é.Quem vai provar a minha inocência?Ninguém conhecem a verdade.Que verdade há nisto tudo.E o objeto,que valor teria pra valer tanto? ( LÚCIO chega tão de mansinho,que parecia um gato andando em cima de tapetes fofos.Finge nada ouvir.)
LÚCIO: - Que foi? Que cara é essa? (LUIZ,não sabia se ria,se gritava,ou se chorava)
LUIZ: -É só nervosismo mesmo.Que trouxe pra este leito de mortos?(LÚCIO,trazia sacolas,uma em cada mão)
LÚCIO: -Pão,mortadela e minalba.
LUIZ: - É isto que a gente come hoje? Pão,mortadela e minalba?Isto não dá sangue gente!
LÚCIO: - É o que pude achar.O supermercado fica muito longe.Além do mais é domingo, e,é tarde,muito tarde.
LUIZ: - Pão com mortadela! É o fim da picada!
LÚCIO: - Pra última refeição d’um afogado, e atolado em lodos. Nos países que têm a pena de morte.O moribundo,come na sua última refeição,aquilo que quiser comer.O sujeito vai morrer mesmo.Pede coisas que em vida não teve.
LUIZ: - Mas pra gente não.É pão com mortadela.Pra que dizem: “que ele descanse em paz”.Será que além de descanso,lá não existe paz? Imagina eu chegando no quinto andar, e perguntam :-Comeu o quê naquela noite de infortúnio?Respondo…(CORTANDO)
LÚCIO: - Chega desse assunto chato.Essa repetição nojenta.Esse cochichamento nas costas da gente.Essa falcidade da pele.Chega de tudo.Chega!!!Não dá pra ficar fantasiado.O dia não espera.A hora é chegada.O patrão está atrasado,mas vem.Uma resolução a gente tem que apresentar.O precioso dele sumiu.Ele foi bem claro,quando o apresentou dizendo que era a coisa mais importante em todo o seu erário.(Luis, assentou-se no chão.Ficou observando,por muito tempo o teto.Lúcio por sua vez,fica parado olhando as sacolas,abrindo o pãp com as mãos e colocando a mortadela.Luiz pega um e o guaraná com cara de nojo e come também.Lúcio, levanta.Vai até o corredor.Abri a porta,entra.Luiz continua a olhar para o teto.Ouve-se o tilintar de um aparelho celular.Lúcio,sai correndo coma as mãos molhadas.Abri uma das sacolas.Pega o aparelho e atende):- Foi o que eu disse.É domingo sei,só que o patrão ainda não deu as caras aqui.Como vou fazer isto estando aprisionado neste…?Só pode ser amanhã.Agora? Agora não dá! Isto não,não é possível! Tem,tem,tanto ele quanto eu(Luiz neste instante está aparelhado com Lúcio pra ouvir a conversa),um não pode sair e o outro ficar.Daqui a pouco o patrão chega,a gente sai.(Lúcio tem em seu semblante estampada a tristeza quando diz cada palavra)Sim,resolvo tudo numa boa! Pra ti também!(Desliga o telefone)
Luiz:-Não é mais proibido trazer celular pra cá?(Lúcio,símplimente dá uma olhada.Volta ao que estava fazendo.Depois entra para no corredor.(Sozinho,Luiz começa a fazer insinuações).Falava com quem? Foi ele mesmo,foi sim! O patrão foi bem claro,quando diz que não permitia o uso de aparelho celular na hora do trabalho.Atrapalha o serviço dos outros. Deus, como atrapalha! Dúvida não há.Se é um de nós dois…o telefonema,as palavras cortadas ao meio.Tudo é muito esquisito.Alguém roubou.Se não fui eu…quem foi? Tem mais alguém aqui além de nós dois? Não tem.Quem comprou o terreno da dona Aser? Quem…(Quando ia completar a frase,Lúcio chaga com um sorriso nos lábios).
LÚCIO: - Vou me deitar um pouco aqui.Tomei uns comprimidos pra aplacar a dor de cabeça.Se eu dormir não me acorde.Só quero acordar quando o patrão adentrar por aquela porta ali.(Aponta pra porta)
LUIZ: - Vai me deixar só de novo.Fomos contratados para trabalhar,não pra dormir.
LÚCIO: - Me deixa tá,a vida já me amolou o bastante.Que sonolência!(Abri a boca) Este remedinho faz um redemoinho na cabeça da gente.(LÚCIO dorme.Luis aproveita e dorme também.Depois de muito tempo,Luiz levanta meio sonolento.Sacode o colega.LÚCIO não dá sinal de vida alguma.Luiz coloca a mão no pulso dele,o pulso está parado.O coração não bate).
LUIZ:-(Apavorado)Desgraçado,desgraçado,desgraçado!!!(Luiz sai correndo até atravessar a porta do corredor.Volta,remexe os bolsos de Lúcio) Nada.Este maldito não deixou um só comprimido.(Ouve-se ao fundo O PATRÃO NOSSE DE CADA DIA,do grupo SECOS&MOLHADOS.No momento em que Luiz ouve o último tocar do sina na música,diz):–Era só de brincadeira…não falei pra comprar comprimidos! Era brincadeira!
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Monday, March 23, 2009

CENA VII

( Samir, vai até a porta,abre até o canto as duas partes.Vai até uma caixa,retira dela alguns utensílios.O Jovem entra na venda.Fixa os olhos nas caixas.Olha para todos os lados fazendo gestos.Samir,ao se virar,vê o Jovem observando os produtos).

SAMIR:–Vai ficar aí estancado até quando? Se não vem pra comprar,pode dar meia volta e se mandar.
JOVEM:–Queria ver com os meus próprios olhos.
SAMIR:—Já viu? Agora pode ir! Diga pra sua mãe que nós agora tem bucho fresquinho.
JOVEM:–O senhor é rabudo mesmo! Receber o objeto do roubo com juros é demais.
SAMIR:–Que tá dizendo aí,hein?
JOVEM:–É um homem largo o senhor.Vai ter sorte assim…com juros e tudo!( O Jovem sai de cena comentando pra si)
SAMIR:–Esse aí é doido de pedra.(Continua a colocar as mercadorias.Quando se vira novamente,a Dona Aser ali,parada a observá-lo) Todo mundo acha que a senhora está morta.
ASER:–Brincadeira tem hora seu Samir! Muita gente quer é ver os velhos desocupar lugar.E estão de olho é nos meus ganhos.
SAMIR:–A senhora somiu um fim-de-semana inteiro. Quando alguém some,ou tá preso,ganhou na loteria,ou morreu.
ASER:–De vez enquanto,é bom dar uma sumidinha.Pro senhor ver, já estão sentindo a minha falta.Estou bem,e a vida continua.Viva seu Samir,bem viva!
SAMIR:–Al Alsair dona Aser! E nós aqui se derramando em lágrimas por saudade da senhora.
SER:–Vou acreditar! Estou com pressa seu Samir.E o dinheiro?
SAMIR:–Alá seja louvado mais uma vez pela senhora.Nós escondeu de tal maneira, que nem nós tinha certeza do lugar.
ASER:–Com o senhor,o meu dinheirinho está em segurança.Ainda tenho que fazer muita coisa seu samir.Tenho pressa,se apresse!
SAMIR:–O dinheiro da senhora?.. nós quer agora é saber pra onde a senhora andou.
ASER:–Vamos deixar do jeito que está.
SAMIR:–Não,não vamos não! A senhora me deve explicação.Deve explicação à todos os do bairro.Que fedor era aquele que saia da casa da senhora?Todo mundo achava que o seu corpo derretia lá.
ASER:–Ah,isto eu posso explicar! naquele dia.Eu já arrumada pra sair.Fui visitar a minha irmã…o senhor sabe que uma vez por mês,eu visito a minha irmã.Mas,na hora que eu ia sair,o Lúcio…o senhor sabe quem é o Lúcio não sabe?
SAMIR:–Sei quem é.
ASER:–Pois é,o Lúcio e a esposa,aparece bem na hora que eu ia sair.Pra que? Pra comprar o tal do terreno que tinha posto pra vender.
SAMIR:–E de que lugar ele tirou o dinheiro pra comprar o terreno da senhora?
ASER:–O senhor não sabe?Todo mundo sabe,menos o senhor! (Dá uma risadinha) A mulher…mulher sortuda!! Ganhou nos números da loteria.O dinheiro era a quantia certa pra comprar o terreno.. admiro a inteligente dos dois! Eu,de um lado emocionada pela venda.Do outro,pela sorte da mulher.Na conversa toda,me esqueci da hora.E tinha colocado a carne pra descongelar em cima da pia.Juntando tudo! Se eu fosse àquela hora pro banco colocar o dinheiro,não ia dar tempo.Foi aí que me veio a sua imagem à cabeça.
SAMIR:–Nós! Pau pra toda obra né! A senhora deixou em nós dois sofrimento,se a senhora morre,nós não pode gastar o dinheiro.Se os ladrão leva o dinheiro da senhora nós ter que pagar.E é muito dinheiro.Agora nós perde o dinheiro pra seu legítimo dono.(Samir vai nos fundos da loja,pega o embrulho com o dinheiro,entrega-o a dona Aser.Ela abri o embrulho)
SAMIR:–Pode conferir dona Aser.Pode conferir!
ASER:—É isso não seu Samir.(Ela retira algumas notas e dá ao Samir)
SAMIR:–Pra que isso dona Aser?
ASER:–Não estou lhe pagando nada.É só pra compensar a espera.Se fosse pra pagar.Esse dinheiro não seria o suficiente.(Ela se despede e sai agradecida e feliz)
SAMIR:–Munheca! Uma merdinha de nada.Era melher não dar nada.

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CENA VIII


(No bolso da camisa,Luiz encontra uma carta.Ao som do BOLERO DE RAVEL,começa a ler). É,a vida toma rumos que a gente não percebe,ou nunca imagina.Quem imaginaria que ontem,ou a alguns minutos atrás,eu comia a minha última refeição.A vida é assim! Num minuto,tudo cai,a vida vira,e a gente morre.Quem imaginaria que num teste para um trabalho efetivado fosse dar no que deu?Não sei se por mim,ou…os comprimidos começam a me deixar sem opção.A casa…a nossa casa,você vai gostar de lá.Que rua tranquila é aquela rua!A preciosidade do patrão criou asas…sumiu!!Não culpo eu, nem culpo o Luiz.Não me pergunte quem foi.A culpa é da nossa falta de tato,não admistramos bem a propriedade alheia.Fomos chamados para tomar conta dos bens…nem fomos contratados. É a fase das primeiras semanas da esperiência.Foram as nossas primeiras noites.Que noites!!Estou indo,comigo a culpa vai…O Luiz? O Luiz fica livre da pressão,e da incapacidade de servir. Diz que escrevi a verdade,o… ele não,nunca entenderá.Pra semente nascer,a semente tem que morrer.A gente nada leva daqui,mas fica…os zumbidos na cabeça…é estranho! O corpo pesa…começa um formigamento. Não queria ficar no esquecimento…ninguém espera a hora,e eu estou fazeno a minha! coação?…É,coação! Entende? Tem motivo? Motivos sempre tem,e um abismo leva a outro abismo…A mão não consegue segurar a caneta com firmeza…é a hora do descanso do guerreiro.( Luiz coloca as mãos no rosto) Me dei tão pouco…e…tanto sacríficio por tão pouca coisa.A gente é pó,volta ao pó…é a hora do descanso mesmo.Aproveite bem a sua nova casa.
LUIZ:-Desgraçado! (Remexe os bolsos) Nenhum comprimido.Egoísta! Quem vai acreditar numa coisa assim? Ninguém vai acreditar em mim..(Luiz sai da sala.Entra pela porta que está aberta.Volta com uma corda amarrada no pescoço.Nas mãos trás uma cadeira.Coloca a cadeira debaixo de uma viga de aço que se sustentava na parede perto de uma entrada bem pequena,por onde os raios do sol entrava.Sobe na cadeira.Joga a corda sobre a viga de aço.Fica nas pontas dos dedos.É um a dificuldade ardida,doida.Quando percebe que não suporta mais,se joga empurrando a cadeira para o lado.Fica ali dependurado o corpo a balançar. Ja é o outro dia.Ouvi-se assovios,ranger de portas.Chaves entrando em fechaduras.Um foco de luz ilumina um homem que entra com um molho de chaves nas mãos.Em baixo do braço,um pequeno baú.
SAMIR:- Que escuridão!( Ele ainda não vê os corpos) Que silêncio! Os dois dorme com certeza.Não tem barulho nenhum.Pra o Senhor ver Alá,nem bem passou pelo teste,já estão dormindo no serviço.Olhei no quarto do corredor,lá não tem ninguém.Aqui também,não vejo.Ah não ser…(Para pasmo quando se depara com o corpo esticado de Lúcio) é disso que estou falando,dorme igual a uma pedra.(Vai balançá-lo,quando vê o corpo de Luiz dependurado a balançar) E isso agora?(Olha um, olha o outro.Deixa de sacudir Lúcio.Aí vê a carta.Pega-a lê.) Viu o que fez você pra nós Alá? ah Alá! Pra que uma coisa desta?Com tanto aconteceimento Nós tinha esqucido os coitados aqui.Nós nunca ia imaginar uma coisa assim.O senhor sabe que antes de confirmar o empregado,nós põe a prova.Mostra todo o nosso patrimônio pro candidato.Fala pra ele que tem de olhar de vez em quando tudo que tem lá dentro.Aí nós vem pela entrada secreta.Pego o objeto que não pode ser roubado.Se no dia seguinte o candidato conta pra nós que sumiu alguma coisa.Está assustado.Este é um bom empregado.Se não conta,este nós não quer.É um mal empregado.Nós precisa de gente de confiança.Nós não podia imaginar que fosse ter esse fim.(Samir passa a mão na cabeça.Olha pra um e para o outro.Rasga a carta em pedacinhos,coloca na boca e mastiga.Depois cospe no chão).Agora nós tem de chamar as famílias.Eles toma as providências.. esses dois…o jeito é chamar a familia mesmo.O Senhor põe nós em cada enrascada! (O BOLERO DE RAVEL AUMENTA ATÉ O FIM)

FIM.

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