TÊ
Uma cadela mansa,jamais ataca uma pessoa.Ela lhe deixar se achegar à ela.Até lambe a sua mão.Quando a gente menos espera,ela chega de mansinho,morde o calcanhar da pessoa.
(Maria tereza está à janela olhando quem passa.Vai dizendo bom dia, um a um).
TEREZA:-Bom dia seu Jenuino! Como é,colhe ou colhe a roça? Com a geada que tem dado né mesmo!Esse aí planta dois grãos de milho,quer colher duas toneladas.Tem a paciência! Bom dia Dona Aurora! Tá vindo aí! O cata osso inda não chegou.Sabe como é,tem dia que atrasa,tem dia fura pneu no caminho, e nem vem. É Maria Elvira a minha irmão que vem passar o fim de semana aqui comigo.Nesta cidade, o sossego que é,serve de refresco pra que vem.Lá na cidade dela é…a paz do Senhor pastor!Olhe nesta semana não vou poder ajudar na igreja.Vou ter que fazer gosto a Maria Elvira,minha irmã!…a cidade dela…olha lá! Vem ele fumegando feito maria-fumaça.(Ônibus pára diante da venda.Tereza vê a irmã sair do ônibus.Fecha a janela.A irmã bate uma vez,duas vezes.Na terceira vez Tereza abre a porta)
ELVIRA:-Pensei que não morasse mais aqui.Deus me livre fazer o trajeto todo de volta.Eu não ia suportar.Quanta poeira há nestas estradas.Parece que a gente está dentro de uma maquina de lavar roupa.
TEREZA:-Meu Deus do céu,é ocê Maria Elvira?Tava na cozinha passando o café.Nossa,como cê tá magrinha! Como esses brancinhos conseguiram carregar estas duas malas da venda até aqui? Devia ter pedido,que seu Juca mandava o menino ajudar.Pra que tanta mala?Pra quem vai ficar só um fim de semana! Deve de tá entupida de roupa.Aqui não tem nada pra ver.Essa cidade é muito quieta.De vez enquanto morre um pra tirar o sossego da gente.Cidade de pouca gente.
ELVIRA:-Talvez não fique nem uma semana.
TEREZA:-Deixa estas malas aí.Vem cá pra cozinha.O café tá pronto!Cê deve de tá cançada.Viajou a noite toda. Esse cata osso parece um moinho d’água.Se quiser tem sabão,toalha e água é o que não falta.Vai lavar o rosto e as mãos.(Ela vai até o banheiro,volta com as mãos pingando água)Toma a toalha,enxuga estas mãos.(Pega o pano de chão e vai secando as gotas)Meu ladrilho,meu ladrilho!
ELVIRA:-Descansa Tereza!Nem ladrilho isto é.Ardósia é que é!
TEREZA:-Pode me chamar de TÊ,é curtinho.Bonito, e fácil de pronunciar.Todo mundo aqui me chama de Tê.
ELVIRA:-Eu sempre a chamei deTereza.Não é agora que vou mudar
TEREZA:-Não custa nada! Vou levar a mala lá pro quarto.Que tem dentro? É chumbo é?Nossa que peso!