Monday, September 22, 2008

ATO III

A CADELA.

TEREZA:-(Abre a janela) Bom dia sol! Bom dia! (Vai passando dona Ana)Bom dia comadre Ana! Não parece que tudo mudou de repente? As borboletas estão mudando de cor. Ih,já deve tá beijando o marido!…Maria Elvira ainda não tem filho.Saiu cedinho,cedinho.A senhora sabe, quando não atrasa,o cata osso,sai no horário.Coitadinha da Elvira,saiu cochilando.Se né eu que acordo cedo,tinha perdido o cata osso.E o homem comadre? Até que enfim hein!Já enterrou também? Nem velório teve?Aquele já tava morto mesmo.Só faltava cair.Sofreu o coitado.Pulgou bem os pecados que tinha.Sabe que Elvira tinha razão!Alguém precisava ajudar aquele onça.Não ficava bem ali no canto gritando feito cão ferido.Pelo menos lá na igreja,os gritos foram abafados.É comadre,se não é por Jesus,não sei o que seria de mim.Pois é! Já tô acostumada a vida sozinha.Fazer falta,vai sim.A gente acostuma com tudo né!.Com a morte é que não há meio de se acostumar.Vou levando conforme Deus quer.Vou ter menos pra fazer.Ela disse que volta um dia desses.Disse pras pessoas da cidade é.Pra mim Maria Elvira nunca diz nada mesmo.Ela não saía das casas dos outros.Pra eles,a saudade vai ser maior.Aqui ela mal comia comadre.Usou aminha casa feito pensão mesmo,mas só pra dormir..Entrava e saía.É comadre! Parente,a gente tem de aturar não é!Mas, ela se foi.Agora a vida é outra.O rio continua no seu curso natural.Né passarinho verde não comadre.Não sei o que deu em mim.Levantei com vontade de varrer a casa.Lavar as roupas de cama.Dar bom dia a tudo.É por alívio não.Aqui no fundo do coração,tem um pontinho de saudade.Então tá comadre!A paz do senhor pra senhora também.Ê seu Juca! A muleta continha em baixo do braço!Se tivesse ido à igreja,estava por ai saltando feito cabrito.”Eis que estou à porta,e bato,se alguém abrir a porta,entro”.Fui eu não. Foi Jesus que disse seu Juca.As pessoas esperar a doença cair pra depois buscar o médico não é mesmo?Pro senhor também.A gente dá o remédio,eles não tomam.Depois quer ver o milagre acontecer.Não há causa sem êfeito.Pra que o milagre aconteça,a gente tem de fazer a nossa parte.Não vai à igreja,quer que a gente ore é de longe.Pois bem! Essa gente não aprende nada.

Posted by Camuccelli at 19:55:39 | Permalink | No Comments »

CENA I

TEREZA-Este quarto,é o que tem mais conforto.Nem falo da cama larga.
Do banheiro.Mas, do conforto e do silêncio.Aqui nada se ouve.Quando
a gente quer comer.É só puxar a cordinha ali,vai dar diretamente
na cozinha.Pra buscar,é a mesma coisa,os pratos sobem parede
acima.
ELVIRA:-Tô com corpo todo moído! Que horas são Tereza?
TEREZA:Isto agora não importa. Aqui em baixo, o tempo é sem valor.
ELVIRA:-Marquei de almoçar com a dona Maria das coves.
A mulher vai ficar uma fera, se a deixo esperando.Amanhã,adeus descanso.
TEREZA:-Tem uma coisa que ocê precisa ficar sabendo.(Ela interronpe)
ELVIRA:-Dormi feito pedra…E o que é?
TEREZA:-Não sabe que todo mundo aqui,já dá a sua sumida,como quem foi embora?
ELVIRA:-Minha o que?
TEREZA:-Num foi ocê quem pegou o cata osso,a três dias atrás?Num foi ocê quem se despediu de tomundo e foi embora?
ELVIRA:-Tá louca é? Como fui embora,se acordo aqui.De camisola,meio tonta,e…Esse corpo todo moído,parecendo que levei uma surra de vara verde.
TEREZA:-É!….Precisamos acertar as coisas mesmo.De agora em diante,vou cuidar d’ocê como quem cuida d’uma florzinha delicada,e frágil.Ocê vai se render a Jesus.Ocê é a única pessoa que tenho na família.A minha salvação,é tua salvação.Não posso ir à Deus deixando a última ovelhinha pra trás.E quando aceitar ao senhor jesus como o seu único salvador.Aí cê vai comigo à igreja e será a maior satisfação.Uma alma será salva,e haverá festa no céu.Sabia que pra cada alma salva há uma festa no céu?
Apresento-a ao pastor.Ocê aceita Jesus como seu
único salvador.Só isso!Tem nada demais?E é pro seu bem que faço assim.Nós vamos morar no céu Maria Elvira.Vamos nos encontrar com
Jesus nos altos,juntas.Cê anda muito magrinha.Vou
lhe entupir de comida,até engordar.Vai ficar como eu.Aí,só aí, lhe levo
à igreja.Não vou querer tudo mundo rindo na minha cara,dizendo que lhe matei de fome? Não,a gente vai ficar juntas minha irmã,juntas!
ELVIRA:-Fico imaginado a cara que a mamãe faria,se estivesse aqui,e ouvisse o que acabo de ouvir.É de brincadeira,não é?Vou sair,tem uma pessoa que muito estimo, a minha espera.
TEREZA:-Não tem ninguém a lhe esperar.Cê tá na sua casa lá da cidade grande.Numa hora dessa, está beijando, e cozinhando para o seu marido.Se é que ocê faz comida pra ele.
Aqui todo mundo sabe a vida de todo mundo.Era uma cidade tranqüila,até ocê chegar.Ocê precisar fazer jejum,e oração pra tirar o diabo do corpo.Sua vinda pra cá trouxe morte à esta cidade.A primeira vitíma foi o Padre Eusebiu,o coronel Deudato.Depois o Juventino.Foi só descer do cata osso,pra os ventos da morte descer contigo.
É preciso Maria Elvira…é preciso tirar o diabo de dentro do seu
coração.Cabeça vazia,é oficina de satanas.Aqui em baixo,vai
poder se curar.Vamos lavar seus pecados no sangue de Jesus.
Será outra,tuas vestes serão lavadas no sangue de Jesus.
A honra desta família será restituida.A moral e os bons costumes.
ELVIRA:-Que maluquice está me dizendo?Recuso-me a crer nisto! Não estou aqui pra ouvir tamanha asneira.Não me obrigue a engrossar.
TEREZA:-Magrinha do jeito que é,não vou precisar fazer muita força.
ELVIRA:-Vai me bater?
TEREZA:-Se precisar,vou.Deu-lhe um pescoção!
ELVIRA:-Sai da porta Tê.Por favor,me deixa passar!
TEREZA:-Agora me chama de Tê né.No dia que pedi,zombou de mim.Tem mais essa de Tê não.Nem marmeda tem mais.Agora é a hora da conversão.É Jesus que está no comando agora.
Deus é de prova que faço isto pro seu bem,nada mais.Devia é me agradecer por pensar na sua saúde,e na sua salvação.nem nisto cê pensa.Estou esvaziado a sua cova.Nossos corpos serão
transformados.Outros morreram a nossa morte.Nós ressucitaremos em Cristo Jesus.Querida irmã.Tenha uma boa noite!Coma o mingau enquan…já esfriou!Agarramos a conversar.Esqueci de olhar o mingau.Vou preparar outro.
ELVIRA:-Precisa não.Não vou comer até que me deixe sair.
TEREZA:-Bom! É bom,jejum santifica e purifica.Vou trazer assim mesmo.
(Tereza sai,tranca a porta por fora)
ELVIRA:–Ela põe alguma coisa nessa bendito mingau!É só eu comer pra me sentir,fraca e com sono.Tereza,foi sempre muito esquisita.Fazia coisas errada,e negava quando a mãe perguntava.Tudo mundo sabia que era ela,mas negava. Essa gente acha que Jesus é um pedaço de torta.Uma fatia de mortandela.Um brinquedo que a gente oferece e a pessoa aceita.Aceitar Jesus! Não é Jesus quem devia aceitar a gente? É a pessoa que deve dar o primeiro passo,e é de livre escolha.

Posted by Camuccelli at 19:53:31 | Permalink | No Comments »

CENA II

(No espaço do quarto,tem uma cama bem larga.Perto da porta de entrada,há uma porta que vai dar no banheiro.Na parede perto da porta,há uma minúscula janela,de onde se ouve o barulho de água.Maria Elvira lê uma bíblia assentada na cama)

ELVIRA:–Estou sem ação.Se já tem esses dias todos que a doida da Tereza diz,alguma coisa colocou na minha comida.É no mingau!…Foi isto que comi naquele dia.(Ela fala imitando a Tereza) Fiz p’rocê besta! Naquela calma! Quem não comeria? Três semanas,é demais!
Não devo dar atenção as coisa ditas por ela.Deitei-me ontem na cama.Lembro-me ter sido levada por alguém até a cama.Foi ontem,não é uma semana como diz.Ainda estou com a mesma roupa.Se dormisse uma semana inteira,teria morrido.Esta camisola estaria um fedor só.Não tem cabimento! Mas a prisão?Manter-me presa aqui só pra eu aceitar a Jesus como o meu único salvador,é ignorância dela.O meu marido não há de estranhar,sabendo que estou bem aqui.Bem entre aspas! Não sei o que pode fazer uma pessoa alucinada.Ali tem o banheiro.Na parede por onde desce a comida é muito apertado.Naquela janelinha,mesmo se retirasse a grade,não passaria o meu corpo..o jeito é esperar pra ver até onde vai a maluquice dela.Um momento Maria Elvira! As esquisitices que ela têm?Quando lhe lembrei da perda do filho…do amai ao próximo.Ela ficou estranha,começou a falar de modo estranho.Tenho que me lembrar de alguma coisa que a deixe estranha.Parece ficar fora de si quando ouvi o que não quer ouvir.É a minha deixa.Tenho de me lembrar.Mas do que? Aqui a gente se escondia pra contar os nossos segredinhos. Ela tinha sempre mais à contar do que eu.Mamãe ficava uma fera quando descia e via nós duas aqui,brincado e rindo.Aqui era o quarto do nosso esconderijo.Não há como sair,senão pela porta que só abri do lado de fora.Vou tentar na conversa,se não der,tento me lembrar de algo determinante.Tenho que sair daqui.O quanto continua do mesmo jeito.Ela limpa tudo direitinho,até o banheiro. Se esta gente…eu já tinha me despedido de todo mundo! Tudo planejado.Os minutos,as horas, e até as despedidas.De besta Tereza não tem nada.Como me lembrar de algo arrebatador? ( Ela ouve achave torcendo na fechadura da porta)

Posted by Camuccelli at 19:50:19 | Permalink | No Comments »

CENA III

TEREZA:-Tá mais mansa é? Tem uma semana que tento entrar aqui, ocê num deixa.O jeito, foi mandar a comida e esperar.
Quanta coisa suja.Tem uma pia ali no banheiro.
Podia pelo menos lavar os copos.
ELVIRA:-Desculpe-me! Tenho tido muito pouco tempo.A leitura me arrodia o tempo todo.
TEREZA:-Pelo menos isto clarea as idéias.Imagina na sua casa como é.A cozinha deve ser um lixão só.Baratas também descem aqui.Sem contar os ratos do tamanho de um tanque de guerra.
ELVIRA:- Tem aqui(Abri a bíblia e lê),Daniel na cova dos leões.O rei ficou muito preocupado com a prisão de Daniel na cova dos leões.Até,até hein! Rezou à Deus para livra-lo das garras dos leões.
TEREZA:-(Arranca a bíblia das mãos dela) Em que canto tá isto aqui?Mentirosa! Pra nós é orar,não rezar.Vai aprendendo.
(Vai folheando a bíblia)
ELVIRA:-Aprendeu a ler é?Dizem que depois de velha, arara não aprende língua.
TEREZA:-Sei ler sim.Sei muito bem ajuntar as letras.
ELVIRA:-De cabeça pra baixo?
TEREZA:-(Ela vira a bíblia)Está cega é? Aonde tá de cabeça pra baixo aqui?Tem catarata nos olhos,só pode.
ELVIRA:-Joãozinho me contou o que fazia antes de virar evangélica.
Já foi até na cidade.Lá aonde eu moro! Um dia passou por aqui um jovem numa moto.Você empirucou na garupa dele e foi lá pra cidade. Sem contar que era conhecida como a afilhada do coronel.Sabe muito bem o que significa afilhada do coronel.A
pretendida,a escolhida do coronel.E na igreja,ninguém conhece melhor o funcionamento dela do que a Tereza.Era beata sim! aqui minha irmã,quase todos os homens passou por debaixo da sua saia.Agora é o que é.
TEREZA:-(Senta na cama) Deixa eu catar piolho na sua cabeça.Credo,que cabelo crespo.Tem de ser penteado todo dia,descuidada! Vou lhe contar um segredo.Mas,que fique só entre nós duas.Nem a mãe,nem o pai pode saber tá! Ontem,me vesti…aquela saia que a mãe não gosta que visto.Pus a calcinha vermelha,fui à missa.Sentei bem no banco da frente.Na hora que o padre subiu a hóstia abri as pernas mostrando a calcinha.Quase que o padre dexou,o cálice cair.No fim da missa,me disse:-Quero ver a senhorita na sácristia.Fui,ele estava só de batina.Pegou a minha mão,enfiou-a em baixo da sua batina.Estava sem nada por baixo.A minha mão tocou naquilo…naquilo,cê sabe! Sabe como é o padre Eusebio.Aqui todo mundo sabe tudo,mas ninguém diz nada.Naquela hora, uma beata entrou pra pegar umas coisas.Não viu nada.Também nada perguntou,ou fingiu não ver.O resto,cê pode imaginar.Segredo só nosso.(Ela se levanta) Não conta nada pra ninguém. Neste quarto,a gente pode esconder as coisas.
Nem da rua,nem de lugar nenhum,podem ver aqui.Embaixo desta janela.É só o rio que passa.Me espere aí,vou lavar o rosto.
Não sai,a mãe fez a comida que ocê gosta.
(Entra no banheiro,com isto Elvira aproveita e sai de fininho.Descalço só de camisola

Posted by Camuccelli at 19:46:46 | Permalink | No Comments »

CENA IV

TEREZA:-Faz hoje oito dias que Maria Elvira foi embora.Nem um recado.Podia ter telefonado pelo menos, pra agradecer a hospedagem.Eu não tenho telefone.Mas,os vizinhos tem.Eles me falam se ela telefonar.Uma ingrata.Sai calada e nem um bilhete manda.(Ouve-se barulho na rua,uma gritaria) Que zueira é essa na minha porta?(Abre a janela).Acabei de pensar n’ocê Maria Elvira.Que faz ai dentro deste carro de polícia menina?Que vergonha meu Deus.Gente da minha família nunca entrou num carro de polícia.Tinha de ser ocê né Maria Elvira!Que fez ela comadre?Buscar a mim? Se tô quieta aqui cuidando dos meus afazeres comadre!Buscar a mim pra que? Ah,pra testemunhar contra ela!É mentira dela.Fala isso de dentro do carro!Sai daí Maria Elvira.Vem dizer pra mim o que a comadre está dizendo.Protegida de que? Não pode por que? Tratei esta malcriada com pão- de- lô.Me trás a polícia pra agradecer.Depois de oito dias,né
Maria Elvira! Vem cá,vem provar na minha cara que lhe prendi,vem!Essa menina saiu corrida daqui,deixou todas as suas malas entupidas de roupa.Deve está nua né Maria Elvira,deixou tudo aqui! Abro não! A minha porta só abro pra quem é enviado de Cristo.Ante- cristo não é.Maria Elvira!!!Aliou-se ao diabo!Quem é a senhora dona Maria das Coves?Uma ninguém. Quem disse isto pra senhora?Aqui não tem quarto secreto.Que quarto secreto,num cochixó de casa desta?A senhora anda é variando.Vai plantar babatata.Rende mais,e não tem piolho.A senhora não limpa os piolho das couves que vende?Deixa a Maria Elvira falar pra mim gente.Ficou muda é?Pode falar sim.Tá na minha porta.Quem é esta mulher ai vestida de homem me olhando com os braços cruzados?Não gosto de mulher não.Sou ovelha de cristo.Ele é o meu pastor,nada me faltará.Esperando quem chegar?Chegar pra quê?Quero ver alguém me arrancar daqui.Tô no meu direito.A casa é minha. Tem madato do juiz,tem?Nenhum de vocês ai têm provas contra mim.Ora Maria Elvira! Maria Elvira é doida.Cês vão acreditar na palavra de uma lunática?Por que não sai deste carro? E o medo de me encarar.Vem falar comigo cara-a cara.Já sei,tá com vergonha.Saiu fugida gente.Agora chora aí no carro dos outros.Êh,seu Juca até o senhor né?Ao invés de ir trabalhar pra dar de comer pra reca de filhos que tem,fica aí fazendo couro pra essa gente que não tem o que fazer.Deus aleijou o senhor na perna errada.O senhor entendeu!A paz do senhor pastor! Pro senhor ver,até pro homem de Deus sobrou.É Maria Elvira! Fugiu da minha casa,dixando todas as suas malas.Agora estão ai querendo arrombar a minha porta.Né isto não pastor!O que a dona Maria das coves diz é mentira.Imagina se eu ia prender a minha própria irmã.Se ela tiver um mandado pra entrar na minha casa,eu deixo entrar.Mulher na polícia….vai procurar roupa pra lavar.Lugar de mulher é cuidando do marido e dos filhos.Tá,se é só o senhor pastor,eu deixo entrar.Vou mostrar pro senhor as malas dela.Aí o senhor vê se tenho razão ou não.Pode verificar se tem quarto secreto,como estão falando.(Ao ínves do pastor, entra a polícial)
POLÍCIAL:-A senhora está presa dona Maria Tereza da Silva.Por provocar as pessoas.Por causar pânico, por resistir a prisão.Por cárcere privado,seqüestro calúnia e defamação.Por resistir a prisão.
TEREZA:-Cadê o pastor? E a Maria Elvira,vai continuar dentro daquele carro é?(Vai à janela) Êh Maria Elvira,se a mãe estivesse viva,ia ver uma coisa.Judas,se comigo é assim,imagina com os outros!(Volta à policial) Esses cães raivosos.Essa igrata!
POLICIAL:-A senhora tem direito a um advogado.Se não tiver,o estado lhe consederá um.Tem o direito de ficar calada.Tudo aquilo que disser,será usado contra a senhora no tribunal.
TEREZA:-Mas,tudo que usar contra mim,em juizo eu a condenarei.
( A pocilial sai levando Maria Tereza pelo braço).

                               FIM

Posted by Camuccelli at 19:43:48 | Permalink | No Comments »