Tuesday, June 16, 2009

O GAZOFILÁCIO

                                      O GAZOFILÁCIO                               
CENA I

E O CULTO TINHA ACABADO DE ACABAR.UM HOMEM VESTINDO TERNO,BEM APARENTADO,ASSENTADO NA PONTA DA FILEIRA. OBSERVAVA CADA JESTO DO PASTOR ENQUANTO FAZIA RELATO DOS TEXTOS BÍBLICOS.

PASTOR:_….E que o SENHOR te guarde;O SENHOR ponha a mão sobre ti;Que O SENHOR levante os olhos sobre ti e te dê a paz.( MINUTOS DEPOIS,TODOS SAEM DA IGREJA,MENOS O HOMEM, QUE CONTINUAVA ASSENTADO).

EVAIR:Bem aproveitado o culto.
PASTOR:–É o que Deus espera de nós. A mensagem deve seguir quem a ouve e aceita.É de qual igreja o visitante?
EVAIR:– Estou de passear.
PASTOR:–Aqui,nós gostamos de visitantes.Somos uma só família.Mesmo que não frequente outra igreja,volte!
EVAIR:–Boa é a igreja do senhor.Bem…arejada!
PASTOR:_É do povo de Deus.Só administro.Um pastor deve cuidar bem das suas ovelhas.É o que agrada aos olhos de Deus.
EVAIR:– E…cuida com muito Zêlo?…É…cabe dentro da oferta.
PASTOR:–Vem pela primeira vez, entendo!… Mas se quer ofertar pra casa do Deus vivo. Se sinta acanhado não.Deus ama quem dá com alegria.Qualquer quantia nos cai bem.Sabe como é…O senhor se agrada de quem oferta.Principalmente quando é dada de coração.
EVAIR:–Entendo!!!Senão o…é muito pobre a casa do senhor?.(DEBOCHADO)
PASTOR:_Queira perdoar-me meu jovem.Tenho que fechar a igreja…Pode dar a sua oferta se assim lhe cair bem.Senão,a noite não espera sem nos surpreender.
EVAIR:–É.. ainda tem o feriado de amanhã…quem sabe pelo medo…não, o senhor não está desdenhando a minha oferta.O mal é que nem a quantia estimei.
PASTOR:–Fiz muitos cultos hoje.Estou precisando me recompor…Se me der licênça!
Está na hora.Volte outro dia…Vou ter que ir…a igreja precisa ser fechada.
EVAIR– Assim o senhor me assusta! Fechar pra que,se o verbo é abrir mais e mais?E o senhor nada tem pra fazer hoje.
PASTOR:–( MEIO ASSUSTADO MAS,FIRME E CALMO). Engano seu.Eu não paro.
EVAIR:–Ah!… As interminaveis visitas.
PASTOR:–Todo bom pastor deve vê como anda as ovelhas.Cuidar,e bem!
EVAIR:–Principalmente as gordinhas.Se bem que andam diminuindo muito…pra não engordar.Mas,ainda têm as tolas.As rebeldes.E o vento nem sempre sopra de onde se espera não é verdade?
PASTOR:–Estou entendendo não…Vem como vem inverno.Conhece nada de trabalho pastoral.Quer definir o que quer dizer com esta conversa?
EVAIR:—Engano do senhor…o conheço muitissimo bem.Admiro o trabalho do Pastoreado.Tanto é que aqui estou.E sem máscaras.
PASTOR:–Já sei! É oração! O que está precisando é de oração.Devia ter dito logo.(VAI COLOCAR AS MÃOS NA CABEÇA.ELE REFUGA).
EVAIR:–Tire isto de cima de mim.
PASTOR:–O que queres então?
EVAIR:—O senhor pastor,o senhor! (QUE FICA MAIS CONFUSO AINDA)
PASTOR:–E o que quer de mim?
EVAIR:–Nada.Não se imagina quer o que já é seu.(NISTO EVAIR CLOCA AS MÃO SOBRE A CABEÇA DO PASTOR,QUE TENTA RESTIRAR E NÃO CONSEGUE)
PASTOR:–Mas,se é din…quero dizer. Estamos….Olha aqui se…eu fui comprado pelo…ai,uma tonterazinha repentina! Que dor!
EVAIR–Senta aqui pastor…Pecado não é a forma lógica,mas é a moeda. É um bom o preço.Não doi nada e ainda compesa a forma.
PASTOR:–Esta igreja é santa.Foi consagrada por Deus.Têm sujeira nas outras, aqui não!
EVAIR:–É boa a motivação.Uma assim, supera no seu valor.Eu compro!!!
PASTOR:–Estou tonto. A mente confusa! Nem mais sei o que tenho à dizer.
EVAIR:–É feito pingo d’água espatifando no chão,contra o vento nas frestas da erosão.
PASTOR:–Será que tomei algo que fez mal? Desculpe a minha indisposição.Estou me sentido lerdo.
EVAIR:–Em que vicículo está escrito,que crianças devem pagar dízimos? Ou dar ofertas?
PASTOR:–Nem podem.Isto cabe aos pais somente.
EVAIR:–E pra tecer a teia ,temos que fazer.É contribuição como outra qualquer.Criança também paga dízimo sim senhor.
PASTOR:–Isto é desonesto na casa do senhor.É,ilegal.
EVAIR:–Desde que me contemple,como as luvas que saciam os dedos,nada …nada é ilicito.Nada é ilegal.Tudo é lícito.E tudo pode.
PASTOR:–O senhor me pega de surpresa.Estou sem condição de…dê-me tempo….É só o tempo de me recompor.Ainda me doi a carne.Minhas pernas tremem dentro das calsas.
EVAIR:–É o que não temos.O tempo forma crostas.E a gente acaba roendo unhas.O grande vilão…é o tempo caro pastor.
PASTOR:–Sem tempo nada se pode fazer….Estou me sentindo indisposto,não quer voltar noutra hora?Amanhã quem sabe!
EVAIR:–Sente-se muito bem pastor.Não quero tomar o lugar da razão.Correu tudo bem até aqui.Não vamos exagerar.Nem perder a viagem.Amanhã seria outra tentativa.Pra que amanhã se estamos nos encontrando agora.
PASTOR:–Tem algo estranho aqui.Não sei o que ,mas que tem,tem!
EVAIR:–Pode ser…o entusiasmo! É a hora dos negócios! Está perfeito! É um negócio, rentavel e plural.(ELE DA UMA VOLTA EM TORNO DO PASTOR.OLHA,VÊ O GAZOFILÁCIO.PÕE AS MÃOS,NAS COSTAS DO PASTOR.) Vê,ali?
PASTOR:–O Gazofilácio?
EVAIR:– É seu.
PASTOR:–É não,é da igreja!
EVAIR:—Fiz pergunta não…Tô dizendo que é seu! Estou dando mesmo.É seu! Dando,como quem dá algo à alguém.
PASTOR:– Deve ter uma boa quantia ai dentro.Hoje teve mais fieis do que de costume.Foi o dia dos dízimos e das ofertas.Pertence a igreja.
EVAIR:–É não meu chapa! Pega, é teu…Doravante,seremos íntimos e tal. Vamos entragar nas tuas mãos coisa melhor.Uma outra igreja.Melhor,maior,e real.O senhor superará tudo.O senhor administrará tudo e bem.Nova igreja…é tudo novo pastor.

Posted by Camuccelli in 00:20:14 | Permalink | Comments (1) »

CENA II

PASTOR:–Acompanha-lo como?.E os meus fiéis?
EVAIR:–Quem disse que queremos isto? Aqui fica o senhor.Aqui é o lugar do pastor. Virei visitá-lo sempre que puder.Se eu não poderAlguém vem no meu lugar.Pode ficar sossegado.Sozinho o pastor nunca ficará.
PASTOR:_Quisera eu ver tudo aqui lotado.(FALA COMO SE ESTIVESSE PENSANDO)Uma igreja com poucos membros é igreja.Mas…lotada…a coisa é outra.
EVAIR:–(SEM DAR MUITA ATENÇÃO_…Pensei! Seria inútil convencer o torrão?Seria águas monetárias jorrando em terreno árido?…É ou não é fértil esse torrão?…Vê!..custou-me menos tempo do que o imaginado.Torrões sedem…se a sêde é real e o preço é bom.Se o motivo estiver ao alcance dos dedos…elês não nos decepcionam.Até inventam coisas.
PASTOR:–Ouço,entedo,mas,pouco compreendo.É como o tilintar de um trem ao longe.Apesar do pouco que ouço,acho bom o som.
EVAIR:– Compreenderá depois da obra feita.E não se arrependerá.Á bons obreiros…paga-se bons salários.E o preço é justo.
PASTOR:–É que a miséria, e a fome ronda… Sei aonde quer chegar.Me fala d’uma sociedade,não é isto?É o jovem que vem com os recursos,nós com a mão de obra.Por que não disse logo!Pra que tanto rodeio?
EVAIR:–Bravo,Pastor!!!..Pastor!!!…Não me basta ter o gerente…A gente tem é que gerenciar bem.Já ouço gritos dos talentos rondando o altar.
PASTOR:–Só pode ter vindo da parte de deus…ele ouviu as minha orações!
EVAIR:–(NÃO TÃO ATENTO)Ouviu?!…Ah,é,ouviu! Vamos caminhar por outro caminho.Deixemos de perder tempo.O sucesso!!!…O sucesso,chegará.Entrará por estas portas.Arrebentando tudo.Contaminando tudo.No lugar que o senhor puzer os pés,será contamido pelo sucesso.E este lugar será santo.
PASTOR:–Ai de mim!Com tanta esperança! Esta igraja já não comporta tanto.Imagina-se o que não pode esperar…mas a sociedade terá de ser justa aos olhos de Deus.Nem é mais uma obrar por fazer?
EVAIR:–É modestia!!!Acabe com esse cheiro de pobreza.Cabeça pra frente.É o sucesso, que nos espera. (ASSIM SEM JEITO DIZ)É…só assinar o contrato.Não…Não mediremos esforsos.Compra-se o que tiver de comprar.Reforma-se o que tiver de reformar. A vida se regala é na prática.
PASTOR:–É tanto dinheiro assim?Aqui se faz é na prática mesmo…Mas,se é novo, devemos esperar o melhor.Arriscar não quer dizer,ah,perdi o melhor!Que então seja o…Não me lembro de ter mencionado um contrato.Ai,a coisa fica….(CORTANDO)
EVAIR:–E,por outro lado pastor…Como sou relaxado! É,este! (MOSTRA O CONTRATO) Depois de asssiná-lo,ninguém mais fica parado..Prejuizo?…Nunca mais! Ovelhas gordinhas!…Casaquinhos…lã! Adeus bucho costurado.Ovelhas sã e sem pudor.Sem contar…(O PASTOR ASSINA O CONTRATO) Aí está…

Posted by Camuccelli in 00:17:25 | Permalink | No Comments »

CENA III

(O PASTOR ENTRA PARA O GABINETE.LAERT ESTÁ PARADO NA PORTA DA ENTRADA.EVAIR VAI SAIR… DEVO LEMBRAR,QUE O MESMO ATOR,FAZ OS DOIS PAPEIS)

LAERT:–Oi Vair!
EVAIR:–Laert!!! Faz o quê aqui?
LAERT:– O mesmo.
EVAIR:—Do que?
LAERT:—Do confisco.
EVAIR:—Ah não! Foi um trabalho estrategicamente planejado.
LAERT:–Caro Vair,podemos desativar arapuca. Antes de ser ativada.
EVAIR:—É pra intimidar? .Tem próblema demais por aqui.Não vamos desmoronar nada.A recompensa ainda pode ser tua..
LAERT:—Recompensa?… E a persuasão acompanha?…O pastor soubeste preparar bem.
EVAIR:–Eu persuadindo?!..Foi bom dizer…viu,que cara safado?…que bom que viu e ouviu.Aquele Pastor é um caso perdido.Queria porque queria… subornar-me com aquela conversa manhosa.E o desejo? Igreja nova… tudo novo dentro.Sem falar na participação das ofertas e dízimos..Não…claro que não concordei.Meu trabalho não caminha por esse lado.Esse Pastor hein!…Como engana bem! quem vê meu caro Laert…não diz.
LAERT:– Nem vou falar da sedução!
EVAIR:–Como sedu?…Eu é que não me viro senão!! Ainda bem que esteva ai por perto.Vai poder servir-me de testemunha.Aquele lá nem vento forte afasta do caminho.
LAERT:-Meu caro vair! Ah Vair! Foi enganado por um pastor!
EVAIR:–Foi…foi assim mesmo.O engano corrumpe.Saem do artificio,para cair,no artificial.
LAERT:–Comovido!…Estou comovido. Que gênero prefere?Drama,ou comédia?
EVAIR:–Não entendeu nada.Está trocando tudo.Este Pastor não é inocente,abra os teus olhos? Fazer algo pelos pecadores é bom.Pelos soberbos e…se fazer de inocente é demais.Um trate deste merece ser…se não paro com a conversa,era capaz de….sei lá o que.Ainda bem que o vi entrar Laert.Alívio…como me senti aliviado naquele momento.Era a esperança feito um raio de sol.Foi bom que viu o que viu e ouviu.
LAERT:–Olha bem pra mim Vair.Bem de frente.
EVAIR:–Por favor!…A..gente se vê por ai.não me faça fazer uma coisa idiota desta.O pastor foi só tomar uma fresca.Já,já está ai.Agora pode me dar lincênça e me deixar passar? (LAERT FICA SÊRIO)
LAERT:–Quantas vezes vem…tem vindo aqui?
EVAIR:–É sssó..on… ontem!!E..Ho..je!
LAERT:– Tá tremendo Vair.Vai transpirar.Diga só quantas vezes.
EVAIR:–Quer o quê? Se digo a verdade,resume,se minto,resume.
LAERT:– Fala a verdade.Ah,me esqueci,não sabe o que isto é!Nem como entrou.
EVAIR:–Mas acabei de dizer é a…a verdade.
LAERT:–E furta almas?
EVAIR:–É,o mesmo que furtar objetos.
LAERT:–Nem culpa há?
EVAIR:–Agora vai inocentar esse…esse filho da…safado.Vendeu suas ovelhas por um punhado de sucesso.Inda diz que são ovelhas remendadas.Queria,eu dei…dei,não,vendi.E é próspera a igreja que pediu.É assim que se permuta meu caro.Eu tenho,ele quer,vendo cobrando preço justo.Não dei..nem dou,vendo e bem vendido.
LAERT:–Justo?Jogando no fogo as almas deles.E,jogou com o seu jeito malicioso de jogar,trapaceando.Feito traíra.Enganando e usurprando que é pior.
EVAIR:–Tô entendendo esse seu discurso não. Quem vivi no engano,não sou eu.Não me movo pela cobiça, ou pela inveja.Uso,fomentação.Aumento a fome, pedem sustento eu dou.Não é minha a escolha,é deles.Não sou eu quem busco,são eles.Já disse tenho é dou,mas opreço é o que eu pedir.Nem mais nem menos.
LAERT:–E usa veneno,não é? A ti é permitido ultrapassar os limites? Passar por cima do arbítrio deles negando-lhes uma escolha justa?
EVAIR:–É só pra amaciar.Como a ferruem que roi o ferro.Só,pra amaciar!…Não é,mas a escolha é sempre deles.Dou somente o empurrão.caem por conta própria.
LAERT:–Tem piedade?
EVAIR:–Quem me dera poder ter. Torturar não não torturo.Preciso deles,como precisam de ti.Esse papo é antigo.Tanto eu quanto aos teus,temos o mesmo motivo,e os mesmos desejos.É pegar ou larga.Se bem que se não pegam, o jeito acaba-se sempre no mesmo lugar.E a corda aperta de uma forma ou de outra.
LAERT:–E do Gazofilácio?
EVAIR:–Foi de brincadeira. Ele acreditou?Não diga que aceitou?
LAERT:–Brincadeira né!
EVAIR:–Ainda não acostumaste com o meu jeito brincalhão?No fim me divirto bem.
LAERT:–O que quer em troca?
EVAIR:– De que?…Pode ser que o Gazofilácio não seja uma soma justa. Depois do tempo escorrido.Das horas de aflição.Do momento final.Quem sabe!…de espera incansável.
LAERT:–É ouro para nós.Quem sabe nem interessa tanto a ti.Diga o preço.
EVAIR:–Ai,a coisa toda se afirma.E o preço é o mesmo.
LAERT:–A prómissoria fica comigo,ou prefere ignorar?
EVAIR:–pró…mis..soria? Tá fando do que?
LAERT:–Sabe muito bem do que? Está no seu poder.
EVAIR:–Vai agora bisbilhotar vidas alheia? Vai agora desandar o fermento?
(EVAIR FICA NERVOSO)
LAERT:–Quem gosta de flores,se precave dos espinhos.Não se colhe rosas sem se precaver dos espinhos meu caro Vair.
EVAIR:–Bobagem!…Não é tão importante assim.Nem correria atrás d’um pingo no meio do nada.Sofreria eu pra que? Por uma bosta de nada? Nem vale tanto trabalho o passe dele.Só de ter que renovar tudo,já me cansa o pensar.
LAERT:–Não entendes o verdadeiro valor do prazer tchau!( LAERT VAI SAIR,MAS ELE O DETÉM)
EVAIR:–Mostre o que é pelo menos.( LAERT,DE LONGE,ABRE A BOLSA,RETIRA DE DENTRO UM ROLO,MOSTRA)-.Quero examinar primeiro ora. ( LAERT,VEM,ENTRGÁ-O O ROLO.ELE LHE DÁ A NOTA PRÓVISORIA,ELE SAI RÁPIDO).-Em branco!!!Tudo em branco! Em branco mesmo! Tapeado!Totalmente tapeado!.Vair ter o troco! Vair ter…

Posted by Camuccelli in 00:14:53 | Permalink | No Comments »

CENA IV

( É PASSADO MUITO TEMPO.NA MESMA IGREJA.NO TÉRMINO DO CULTO PASTOR)

PASTOR:–Que o SENHOR te guarde;O Senhor ponha a mão sobre ti;O Senhor levanta rosto sobre ti,e te dê a paz.(O PASTOR,VEM EM DIREÇÃO AO JOVEM QUE O OBSERVAVA QUANDO ESSE PREGAVA A PALAVRA.)
PASTOR:–E o jovem gostou da mensagem?.Notei a cara de felicidade que fazia enquanto ouvia a pregação.O Senhor tem uma obra na sua vida.
LAET:–É!
PASTOR:_Quando a palavra nos toca,Deus está falando aos nossos corações.
LAERT:–É?
PASTOR:–Quando Deus fala meu jovem…obedecer é melhor do que sacrificar.
LAERT:–Isto quer dizer o que?
PASTOR:—Fazemos a reunião pra isto.Detectar a semente do mal.Arrancar essa semente maligna,restaurar a ferida.
LAERT:–É mais culto não? Agora é reunião?
PASTOR:–Uma coisa,nada tem há ver com a outra.Se culto,culto.Resultados iguais.
LAERT:–E DEUS?!
PASTOR:_Está no negócio!Sem ele o resultado não seria o mesmo.
LAERT:–E senhor conhece o deus à quem prega a mensagem?
PASTOR:–O filho conhece o seu pai não conhece? Que pai seria esse,se não conhecesse o filho seu?
LAERT:–E o senhor fala com Ele?
PASTOR:–Tal como estamos falando agora.Ele está em mim,eu nele.
LAERT:–O que ele mandou dizer o senhor não disse.
PASTOR:–Disse sim.O jovem que não prestou atenção…A igreja hoje,tem mais opções.Membros que já falam línguas estranhas.É uma igreja próspera.Há unção vinda de todos os lugares.
LAERT:–Disse o Senhor!…Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos,e nem assim me ouvirão.De sorte que as línguas constituem um sinal não é para os incrédulos e sim para os que crêem.Se,pois,toda a igreja se reunir no mesmo lugar,e todos se puzerem a falar em outras línguas,no caso de entrarem sem indoutos ou incrédulos,não diram,porventura,que estão loucos?
PASTOR:_É,tem toda razão.Mas,loucos seriam os que não absovem a verdaderia vontade do Senhor.
LAERT:–Quisera que vós todos falássem em outras línguas;muito mais,porem,que profetizásseies;pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas,salvo se as interpretar,para que a igreja receba edificação.Agora se for ter convosco falando em outras línguas,em que vos aproveitareis.se vos não falar por meio da revelação,ou da ciência,ou de profécia.Ou de doutrina?Dou graças a Deus.porque falo em outras línguas mais que vós.Contudo,prefiro falar no igreja cinco palavras com o meu entendimento,para instruir outros,do que falar dez mil em outras línguas.
PASTOR:_Do mesmo modo…aqui,tudo tem sido feito com cuidado e moderação.Além do que sem fé ninguém chega à Deus.A língua é o dom do Espírito que vela por nós.
LAERT:–Mas é falho.Por isto agora falo e dou testemunho no Senhor,que não mais vos porteis como se portam os gentios,na vaidade da sua mente.Escurecidos no entendimento,separados da vida de Deus pela falta de conhecimento dos seus corações.
PASTOR:_O mandamento de Deus diz isto.
LAERT:–Ninguém vos iluda com palavras vãs;pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.Então não sejais participantes com eles.Porque antes éreis das trevas,mas agora sois da luz no Senhor;caminhai como filhos da luz.Porque o fruto da luz em toda bondade,justiça e verdade.Não vos associeis às obras sem frutos das trevas,mas antes rejeitai-as.Pois as coisas feitas por eles em oculto,até o dizê-lo é vergonhoso.Tudo,pois,que se manifesta é luz.Por isso ele diz:Desperta tu que dormes,e levanta-te dentre os mortos,e a luz brilhará sobre ti.
(DIZENDO ISTO,BATE PALMAS.O PASTOR DESPERTA,COMO NUM CHOQUE REPENTINO)
Por isto,não sejais insensatos,mas entendei qual é a vontade do Senhor.E não embriagueis com vinho,onde há contendas,mas enchei-vos do Espírito;Falando entre vos em salmos,e hinos,e salmodiando ao Senhor,e cantando cânticos espirituais,nos vossos corações;Agradecendo sempre a Deus,submetendo-vos uns aos outros no temor de Deus.
PASTOR:_Antes,estive como que estivesse dormindo.Foi o som da sua boca.As palavras saindo zumbindo feito necta nos meus ouvidos.Tinha a impressão de está ouvindo cachoeiras,e cantos ao longe.Era bom o som.
LAERT:–Está vendo isto aqui?
(MOSTRA-O A NOTA PRÓMISSORIA) É laço! (RASGA-A) Agora estas livre.Cuida para que não volte a cair novamente.
PASTOR:_Não me lembro ter ouvido dizer o teu nome
LAERT:–É importante não.Importa mais salvar vidas,e desprender almas de penas urdidas.Eu vim para libertar os cativos.Nomes confundem e se opõe ao mais importante.
(DEPOIS DISTO,AZ SE VIRA E SAI)
PASTOR: (OLHA PARA O LADO)Num canto,tem um móvel precisando de reparo.O cochilo que dei serviu pra manter-me descançado! Quanto tempo dormi? Pareceu-me ter uma eternidade pra reformar,e continuar sobriu.Quando a gente pensa que fez alguma coisa boa!…Há muito mais por fazer!
LAERT:—Se o rio não muda o seu curso natrural.Pra que querer mudar aquilo que não podes mundar?

FIM

Posted by Camuccelli in 00:10:43 | Permalink | No Comments »

Monday, March 30, 2009

SOLDO E SOMBRAS

 
                  
SOLDO E SOMBRAS
                                 Cenário:
(Uma venda,com tudo aquilo que tem numa venda.Carne de pendurada.Utensílios domésticos.
Em geral.O texto tem três(3) personagens.E são interpretados por homens.
O senhor Samir Al Alsair,está abrindo as portas do estabelecimento,quando um jovem entra).

Jovem: - Bom Dia seu Samir!
SAMIR: - Al Alsair! Al Alsair!
Jovem: - O senhor tem bucho de bode,seu Al Alsair?
SAMIR: - Tem!Vamos ter festa hoje é? Bucho de bode, é chama que festa pede.
JOVEM: - Sei lá! É a mãe quem quer.(Ele apanha o jornal,põe o bucho seco.O jovem paga e leva.Dona ASER entra no estabeleci mento com uma sacola nas mãos)
SAMIR: - É dia de festa mesmo! Nem bem está aberto,já tem o entra-e-sai.
D.ASER: - Seu Samir, bom dia!.Lembra do terreno que eu tinha pra venda?
SAMIR: -É Al Alsair dona Aser!Lembro! O que tem?vendeu ele?
D.ASER: - A custa de muita espera vendi.
SAMIR: - Fez bem! É tudo tão demorado nos dia de hoje! O dinheirinho vem numa boa hora.Quem não tem dinheiro,nada vale neste mundo,dona Aser!
D.ASER: -Olha que o ser humano é precioso!..Pensei comigo pelo caminho…com esse dinheiro todo guardado em casa… Casa de mulher sozinha…quem sabe o seu Samir?… Seu Samir não há de se negar em guardar esse dinheiro pra mim?
SAMIR: - O que nós puder fazer,nós faz Dona Aser.Mas,nessa de guardar dinheiro,nós num pode.Dinheiro é feito roupa,tem de andar gruda ao seu dono.Cada um tem o seu cofre particular.É seu,proteja!
D.ASER: - ( Retirando um pacote da sacola) Aqui está! O senhor não vai me deixar andar por aí com uma quantia desta embrulhada num papel de pão,vai?
SAMIR: -(Samir esquece tudo que disse) Isto Daqui é o dinheirinho da senhora? Alá!!!(Ela assente com a cabeça que sim) Mas,…mas! É doideira!Não pode andar por aí com isto assim.
D.ASER: - Foi o moço que me deu.Eu não posso andar com isto por ai,posso?(D.Aser se depende e sai).Vou deixar,depois volto e pego (D.Aser se depende e sai).
SAMIR: - Alá! nós vai fazer o que agora?(Sai,corre até os cômodos de dentro.Guarda o dinheiro.Volta) Só nós sabe aonde está,de tão bem guardado que ficou.(Mal acabou de dizer.Dos jovens adentra na venda.Um Pará perto da porta.O outro vai até o balcão conversando).
Pessoa 1: -Por um acaso tem o senhor ai trigo para fazer kibe?
SAMIR: - Tem não senhor,mas,temos…( O jovem não o deixa completar)
Pessoa 1: - E água de flor de laranjeira,ou hortelã?
SAMIR: - É do mesmo jeito do trigo.As pessoas aqui do bairro não usa ingredientes do terra da gente. Se nós
compra,nós tem de jogar tudo fora.Fica tudo ai encalhado.
Pessoa 1: - Não te disse que esse árabe diaraque não vendia estas coisa? (O jovem que ficou encostado na porta.Fecha a porta,retira da cinta a arma)
Pessoa 2 : - Bala pra arma o senhor tem, não tem?!

Posted by Camuccelli in 19:53:30 | Permalink | No Comments »

CENA II

CENA II
Há agora um corredor.No fundo do corredor uma porta entre-aberta.Lúcio e Luís entram conversando e rindo muito.

Lúcio: - …E aquela da velha…aquilo é de matar!Não sabia se ia,ou se ficava.
luiz: - Parecia não querer acabar mais. O outro rolava no chão de tanto rir.As horas passando,a gente ali se debatendo aos prantos,e de riso boca-a-boca.
Lúcio: - (vê a porta entre-aberta,mas ignora).Sujeito sujo!…A gente?…Quase comecei a contar aquele causo antigo.Aquele do…do…
luiz: - Viu a cara deles quando a gente disse…aqui estamos dando as nossas escapadinhas.Mas, é hoje só! (Risos)
Lúcio: - ( Lúcio,fala olhando para a porta). Deixamos a porta aberta quando saímos?A gente não devia esquecer isto!
luiz: - Não.Trancamos a porta antes de sair.Vou ver lá dentro.( Vai,volta aos berros),o pre..cio..o.. precioso…prici…meu Deus!
LÚCIO: - Calma! (Segura-o pelo braço) Respira!…Conta em decrescente mentalmente.Calma.assim não entendo nada.Calma!
luiz: - (Vai se acalmando,contando lentamente) O precioso! Su..mi..u!!! sumiu o precioso do patrão!
LÚCIO: - Se esgragular não vai adiantar.É manter a calma!
luiz: - Calma demais é vício! Algo tem de ser feito.Não dá pra ter calma numa hora dessa.
Lúcio: - É o que penso também. Agora está feito,está! Vamos raciocinar!
luiz: - Se não me arrastasse.Nada disto tinha acontecido.Vigiar é vigiar.Eu não queria ir,não queria.
Lúcio: - Vem não! Também gostou!Ria feito uma hiena.
luiz: - E amanhã quando o patrão vier pra aprovar o serviço?.O que vamos dizer a ele?
LÚCIO: - Nada! Ele entra.Verifica,vê o fato.Depois…nos manda pra guilhotina.
luiz: - Eu tinha de lhe acompanhar!!(Lúcio vai medindo com os olhos os canto e andando com as mão para trás).
LÚCIO: - Quem veio…entraria por aquela porta.Outra entrada não há.Se ao menos tivesse uma pista? Um sinalzinho só!
luiz: - De tão cauteloso,me falta…se não tivéssemos ido contar piadas.ido pro meio de malucos.
LÚCIO: -Chorar não adianta.Manter a calma é o melhor remédio.Repetir também não leva à lugar nenhum.
luiz: - É fácil falar,quando não é o seu que está na reta.
LÚCIO: - É o que você quem diz.Para o Patrão não há acepção,os dois,é responsabilidade dos dois.
luiz: - Malditos minutinhos desperdiçados….quem teria entrado aqui,pra levar uma coisa só?
LÚCIO: - Uma coisa eu acho.É plano perfeito. Senão o Precioso estaria lá no lugar de sempre.
luiz: - Com tanta coisa pra roubar.Ouro,prata.Foi escolher logo o Precioso.Justo o que ele mais recomendou.Defunto encomendado não entra no céu.É que sempre digo.
LÚCIO: - É o que eu digo também!Foi de plano feito.Foi alguém que sabia o que queria.E conhece todos os nossos passos.
luiz: - Amanhã!!!Amanhã quando o sol entrar por aquela fresta(Aponta na direção de uma minúscula janela).É o último minutos de nós dois.O patrão não vai deixar de graça, se nos advertiu tanto sobre aquela coisas valiosa dele.
Lúcio:–Há sempre uma saída.Nenhuma gota cai no chão sem propósito.
(Os dois caem exaustos no chão, um pra cada lado)

Posted by Camuccelli in 19:48:43 | Permalink | No Comments »

CENA III

( Dois soldados tomando nota.Samir mostra à eles canto a canto.Vai contando o ocorrido,eles anotando num caderninho)
SOLDADO I: — Um estava parado ali na frente da porta,é isto?
SAMIR: - É como nós disse pro senhor.O que parou na frente da porta,não deixou ninguém entrar.
SOLDADO II: -O senhor não disse que estava sozinho na hora do roubo?
SAMIR: –Nós já não lembrar de mais nada. Se nós tá dizendo que foi assim.Assim foi.
SOLDADO I: - O senhor está nervoso. Comecemos do primeiro ponto endiante.É assim que procede as investigações.Temos que colher o máximo de evidências. Cada detalhe é importante.Uma coisa tem que se encaixar com a outra.Aqui o senhor empilhou as compras,certo? (Aponta para o canto)
SAMIR: - É isto! Levaram tudo que eu tinha comprado.A gente re-põe as mercadorias,senão a venda não é venda.Sem mercadoria,nós não pode continuar a vender.Nós num vende vento.
SOLDADO II: - Até aí entendemos.O que não encaixa, é os dois aí perdendo tempo com conversa. Não tinha ninguém mais além dos dois?Carregaram as compras em carrinho de construção?
SAMIR: -No caminhão deles suponho!Dois entra,outros fica lá do lado de fora esperando a hora de entrar. É assim que funciona,não é?
SOLDADO I: - Como sabe que funciona assim? Deram dicas ao senhor? Carregaram pacote por pacote?Na certeza,não na suposição.Que o senhor supõe!
SOLDADOII: - Está muito esquisito esse roubo.O senhor disse que adormeceu. Lhe bateram!
SAMIR: - Já disse, foram lá dentro.Pegaram um copo com água e me deram.Eu estava muito nervoso.Acho que puseram alguma coisa pra eu dormir.
SOLDADO II: - Bateram ou não bateram no senhor?
SOLDADO I: - Tá meio sem rumo isto aqui!
SAMIR: - Tá não senhor! Sei muito bem o que é o certo! Já disse que entram.Carregaram,me deram um copo com água… acordei com tudo limpo.É tudo que sei.Não tem nada nas prateleiras,têm?
SOLDADO I: - Come é mesmo o nome do senhor (Examina a prancheta que trás na mãos)? Ah, samir!…Samir Al Alsair.Então seu al Alsair.O que o meu colega quer dizer…pra agilizar a parada com mais agilidade.Tem de rolar um….
SAMIR: - É de agilidade que nós precisa.Traduza isto para o português.
SOLDADO II: - É o caso d’uns dois ou três paus só.
SAMIR: - Que quer dizer o quê?
SOLDADO I: - ( Chama o colega num canto e conversam).Tá ficando doido.É muito pouco.( Voltam para Samir)
Deve dar uns dez por centro do valor, no valor da carga roubada.Ainda tem o se a encontrar.Estamos praticamente nos endividando,e acabamos sendo lesados,se concordar com pouca coisa.O senhor paga,a gente devolve.Um ajuda o outro.
SAMIR: - Quer tirar de nós o que nós não tem? Nem vai respeitar o meu direito de cidadão? Nós aqui,paga taixas disto,taixas daquilo.Impostos,alvará aluguel do ponto.Nós não vai dar nada.Isto é um serviço prestado com obrigação de vocês.
SOLDADO I: - (Chama de novo o colega no canto) Esse ai é osso duro.Isto pode dar cana.A gente disfarça,chama o homem noutra conversa, e encerra a parada.(O soldado II concorda franzindo a testa)
SAMIR: - Como é! Vai ficar ai de segredinho até quando? Nós tem serviço pra fazer! Tem de ter uma solução logo.
SOLDADO I: - O senhor está com sorte,seu Al Alsair.Devido ao caráter do miliante,e da dureza da situação.Chegamos a um acordo.Ou seja, é tudo feito sob a lei.
SAMIR: - Que fora da lei não há salvação.
(Os soldados rabiscam alguma coisa na prancheta, saem em seguida.Samir se sentindo aliviado,vai até a porta,fecha-a).
SAMIR—O dinheirinho da dona Aser!! (Sai correndo para os fundos.Depois volta.Vem de lá com o pacote de dinheiro nas mãos).
SAMIR–Alá, Alá! Ainda bem que no dinheirinho da dona Aser,ninguém tocou.(Começa a fazer um tipo de ritual,ajoelha,levanda) Por que Alá? Como foi fazer isto com nós? Primeiro manda os ladrão.Depois manda outros piores. Aqueles polícias ia tira de nós o que nós não tem. Que faz nós agora?(Tem um pouco de atrito consigo.Reflete e conclui).Nós pega emprestado com a dona Aser um pouquinho desse dinheiro.Compra outras mercadorias.Assim nós resolve a situação da venda.Nós resolve tudo.Ah,Alá! Parece que foi tudo feito do mal pro bem.(Samir confiante).A dona Aser não vai deixar um amigo morrer afogado.É a saída que nós tem.Os ladrões entraram para pegar a água,remexeram tudo,e só leva as mercadorias.Se me leva o dinheiro da dona Aser!.. Eu tava ferrado.Além das mercadores,ia ter que pagar esse montão de dinheiro também.Já dou por perdido as mercadorias.Eles investiga,mas não chega a nada.O mais certo é tomar emprestado na mão da dona Aser,e botar uma pedra em cima.Esquecer mesmo.De tão escondido que o dinheiro tava,ninguém ia encontrar.(Samir alisa o dinheiro.Embrulha-o novamente.Entra para os fundos da venda para devolvê-lo ao seu esconderijo).
Posted by Camuccelli in 19:47:45 | Permalink | No Comments »

CENA IV

(Lúcio, levanta,dá uma espreguiçado,olha em volta,sai em direção à porta.Pega a chave,abre-a.Volta cabisbaixo e acorda Luiz)
LÚCIO: - Acorda Luiz! Vai dormir a noite toda? Vigias são pagos pra vigiar,não pra dormir.Acorda!
(Luiz,acorda meio com preguiça)LUIZ: - Já amanheceu?LÚCIO: - Graças a Deus não! Bom seria se não amanhecesse nunca mais.
LUIZ: - Vou colocar um pouco de água nas mãos pra lavar os olhos.Acaba com o sono.(Sai pro banheiro)

LÚCIO: –Se preocupar pra que.Não vamos acorda mais.O amanhã!…Se é que vamos precisar dele lá pra onde o corpo vai!
LUIZ: - ( Volta com o rosto molhado)Enquanto lavava os olhos.Me lembrei de uma coisa.Quem lhe deu o dinheiro pra comprar o terreno da dona Aser?Você contava pra todo mundo lá no bar.Festejava a compra.Quem lhe deu o dinheiro?
LÚCIO: - ( Lúcio olha-o meio de lado) Como o que?
LUIZ:–De onde saiu o dinheiro,só isto.
LÚCIO: –Não estou autorizado a lhe dizer no momento.
LUIZ: — No momento? Mas vai dizer?
LÚCIO: –Sob coação never!
LUIZ: –Meu Deus do céu! Achei que éramos amigos.De amigo nada se esconde.
LUZ: –Há no seu tom de voz insinuações.Não gosto de insinuações.Amigo não julga.Amigo entende.
LUIZ: –Depende do que estiver em jogo.É jogo aberto.Aqui um depende e defende a vida do outro.
LÚCIO: –Sem essa de falso moralismo.A gente nem amigo é,se fosse,questionava como se pluma fosse.Não pesava a mão sobre o que pensasses, nem julgavas.Ainda que fosse penoso e certeiro feito o raio.
LUIZ: - (Concluí) A coroa estaria intacta.O nosso valioso metal, no seu lugar estaria.A gente é amigo sim.Diga o que fez.Assim evita duas mortes numa noite só.Salva a sua cabeça e a minha.Já que o papo está no nível que tá.
LÚCIO: - Aí tem razão.O teu é o mais importante.Salva-se a luva, e fende-se os dedos.
LUIZ: - Assim que o patrão entrar por aquela porta.Direi a verdade.Salvo o meu,se é o quer saber.
LÚCIO: — O diabo é que a vida se esvai feito a água numa peneira.Se a gente parasse pra pensar…Se se mordesse menos.
LUIZ: –Dinheiro não caí nas mãos assim.De algum lugar saiu. Alguma coisa vendeu pra adquiri o tal terreno.É o álibi que tenho. é o que acho.
LÚCIO: - Prestou atenção? Até agora só fez me condenar.Não parou um segundo pra ouvir o meu lado.Que te importa de onde saiu o dinheiro? Era meu! A mim interessa,só a mim.Dou a explicação que me aprove dar.
LUIZ: –E o porém? Há sempre um porém! O dia não espera as suas resoluções.Tem hora pra tudo.O sol tem seu turno.Não atrasa.Com,ou sem explicação ele segue o seu rumo…eu nada comprei.A morte é sua não minha,a mim não acompanha.
LÚCIO: - Acompanha sim.Ah acompanha!

( Dá-se alguns segundos de silêncio.Apenas pra pensar um pouco mais no que aconteceu.Os dois andam de um lado a outro,tentando buscar saída).
LUIZ:-Ao invés de terreno.Um seguro de vida,não teria sido melhor? A sua mulher levaria uma vida farta.
LÚCIO: —É pra rir, ou é pra chorar?
LUIZ: - A sua mulher ia agradecer.A família com o futuro garantido.Além do dinheiro angariado com a venda do objeto do furto.Tinha o seguro de vida, pra bancar a farra.Devia ter pensado melhor.Terreno!..É,quem compra terra não erra.Tá falado!
LÚCIO: - Já disse que não roubei nada.Essa conversa já começa a encher.
LUIZ: - Convencer é que é o difícil..
LÚCIO: -Nada posso fazer.Se comover o seu coração com explicação curtinha,fosse o mote.Seria o relatório mais sensato.Esse gostinho não vou lhe dar.
LUIZ: - Que amigo! Depois disto,fica se achando.Tentando se colocar contra o meu próprio sentimento.Palavras suaves,não suavisa a queda meu chapa.Se roubaste,dê ao roubo um cunho melhor.
Lúcio:—É termo perdido.E o tempo é o nosso maior inimigo.A mesmo coisa posso pensar do nobre colega.
LUIZ:—Pode não.Apresento-lhe na minha defesa,a verdade.Não há nada mais convincente do que a verdade.
LÚCIO:–A sua verdade.Desde quando a sua verdade serve de base pra incriminar alguém?
( Luiz nada diz.Olha-o como se queisse dizer,mas,não diz.Há um longo silêncio.)
LUIZ:–Eu devia ter dedicado mais a mim…um indivíduo que faz as coisas com relaxamento,cuidando apenas do seu parecer…comprimidos…tomar soníferos apaga,a gente nunca vai saber que morreu..e morrer é feito dormir? Peder a vida por tão pouca coisa! Ainda que seja por ouro.Ouro é eterno,a gente não.A gente vai,e o ouro fica.(Novamente o silêncio)

Posted by Camuccelli in 19:46:45 | Permalink | No Comments »

CENA V

(Samir tinha acabado de arrumar as poucas mercadorias que restava na prateleira,quando o jovem entra na sua venda.O mesmo Jovem do inicio).

SAMIR:-Se vem buscar mais bucho de bode pra sua mãe,pode dar meia volta.Olha nas prateleiras.
JOVEM: -Ih,né isso não! Vim por que tão dizendo no bairro,a dona Aser sumiu.Que o senhor foi a última pessoa que a viu. (Samir pára o que fazia,olha assustado para o jovem)
SAMIR: -O povo diz o que? a dona Aser o que moleque?
JOVEM:–Moleque não.É isto que circula aí pelo bairro.Vai me dizer que não sabe?Desde sexta-feira ela está desaparecida.Uma pessoa viu a dona Aser entrar aqui com uma sacola na mão,e saiu sem ela.Desde sexta-feira ninguém vê a dona Aser.Mas,essa pessoa jura que viu ela sair daqui.Depois sumiu.
SAMIR:-Dona Aser sai daqui e some?Some como?Ninguém some assim.
JOVEM: Outros acreditam que ela está morta.Sai um cheiro forte da porta da casa dela.É de corpos se decompondo.Ela mora sozinha,o senhor sabe.Em três dias,o corpo incha e fede.(Samir corta angustiado,começa a mistura as palavras).
SAMIR:-Tem cheiro de morte? Sai pra lá mentiroso.Essa gente não tendo o que dizer,inventa.É pra botar medo em nós.Nós num crê em nada disto.
JOVEM:–E cada um diz uma coisa.Sabe como é,uma pessoa some….logo a dona Aser,uma velhinha tão comunicativa,simpática! Pra mim está morta lá naquele mausoléu.Vão ter que arrombar a porta pra retirar o corpo pobre.A morte não escolhe cara,nem lugar,hora,muito menos! Tá aqui,num minutinho cai morto!
SAMIR:-(Nervoso e confuso) Falaram mais o que?
JOVEM:-O que estou relatando.Fatos, são fatos.E eles dizem por si.
SAMIR:-É tudo mentira! Conversa de gente sem o que fazer.Dona Aser…a dona Aser não ia fazer uma bobagem dessa.Justo com nós!
JOVEM:–A gente não escolhe a morte seu Samir.É a morte quem escolhe a gente.Chegou a hora,chegou a hora,ponto.Quando o povo fala,é bom não duvidar.O cheiro podre se espalha infestando tudo.O cheiro é o delator.O povo do bairro? Sentirá a falta dela.Fazer o que,morreu,acabou!
SAMIR:–É uma bicho morta lá dentro.A dona Aser saiu pra visitar a irmã.Nós tá é preocupado com o que levaram de nós.Cada um que resolva os seus próblemas.Pode dar licença pra nós,já que nada vai comprar.Dona Aser tem parente que cuida dela.Morta ou viva,a verdade também vem a tona.Pode sair agora.Nós vai dar uma caminhada.Nós tá muito abafado aqui.Nós precisar de ar.
JOVEM:-Nossa seu Samir.Vim na maior.Achei que o senhor também gostasse de dona Aser.Nossa que vexame!
SAMIR:-Al Alsair,pra você! Al Alsair.Gostá nós gosta.Agora pode ir,nós já sabe da novidade,fofoqueiro!(O jovem sai irritado, Samir anda de um lado para o outro)E agora Alá? o senhor exagerou.Primeiro,manda aqueles ladrão limpar a venda de nós.Entra a dona Aser com este dinheiro todo.(Aponta para dentro)Que quer o senhor agora hein! Botar nós de conta a parede?Fuzilar nós com sentimento? Não, o senhor não pode fazer isto com nós.Ah,Alá, não deixar nós cair em tentação.Se alguém descobre. E o cara que comprou o terreno quem será ele?Foi o dono do dinheiro.Um dinheiro sem sorte na mão de nós,sem dono.Vamos ter que esperar algum tempo pra….Não deixar nós cair em tentanção.Terá alguém o conhecimento do dinheiro? (Pausa)Todo mundo sabe que nós está sem nada.Que nós foi….que brasa o senhor colocar nas mãos de nós.Atado agora nada nós poder fazer.Ah,Alá! Ah,Alá!(Cai de joelhos no chão.A cena é de um desesperado).

Posted by Camuccelli in 19:45:52 | Permalink | No Comments »

CENA VI

( Luiz,está andando de um lado pro outro.Ora assenta,ora anda.Esfrega as mãos. Lúcio, saiu para comprar o lancha e não volta de imediato).
LUIZ: - Fugiu! Ele fugiu! Fui um imbecil! Eu é quem devia ter indo comprar o lanche. Que direi ao patrão? Vou ser o mimo do sacrifício.Pagar por um crime que não cometi.Se ele se for,quem paga a dívida sou eu.E a culpa nem minha é.Quem vai provar a minha inocência?Ninguém conhecem a verdade.Que verdade há nisto tudo.E o objeto,que valor teria pra valer tanto? ( LÚCIO chega tão de mansinho,que parecia um gato andando em cima de tapetes fofos.Finge nada ouvir.)
LÚCIO: - Que foi? Que cara é essa? (LUIZ,não sabia se ria,se gritava,ou se chorava)
LUIZ: -É só nervosismo mesmo.Que trouxe pra este leito de mortos?(LÚCIO,trazia sacolas,uma em cada mão)
LÚCIO: -Pão,mortadela e minalba.
LUIZ: - É isto que a gente come hoje? Pão,mortadela e minalba?Isto não dá sangue gente!
LÚCIO: - É o que pude achar.O supermercado fica muito longe.Além do mais é domingo, e,é tarde,muito tarde.
LUIZ: - Pão com mortadela! É o fim da picada!
LÚCIO: - Pra última refeição d’um afogado, e atolado em lodos. Nos países que têm a pena de morte.O moribundo,come na sua última refeição,aquilo que quiser comer.O sujeito vai morrer mesmo.Pede coisas que em vida não teve.
LUIZ: - Mas pra gente não.É pão com mortadela.Pra que dizem: “que ele descanse em paz”.Será que além de descanso,lá não existe paz? Imagina eu chegando no quinto andar, e perguntam :-Comeu o quê naquela noite de infortúnio?Respondo…(CORTANDO)
LÚCIO: - Chega desse assunto chato.Essa repetição nojenta.Esse cochichamento nas costas da gente.Essa falcidade da pele.Chega de tudo.Chega!!!Não dá pra ficar fantasiado.O dia não espera.A hora é chegada.O patrão está atrasado,mas vem.Uma resolução a gente tem que apresentar.O precioso dele sumiu.Ele foi bem claro,quando o apresentou dizendo que era a coisa mais importante em todo o seu erário.(Luis, assentou-se no chão.Ficou observando,por muito tempo o teto.Lúcio por sua vez,fica parado olhando as sacolas,abrindo o pãp com as mãos e colocando a mortadela.Luiz pega um e o guaraná com cara de nojo e come também.Lúcio, levanta.Vai até o corredor.Abri a porta,entra.Luiz continua a olhar para o teto.Ouve-se o tilintar de um aparelho celular.Lúcio,sai correndo coma as mãos molhadas.Abri uma das sacolas.Pega o aparelho e atende):- Foi o que eu disse.É domingo sei,só que o patrão ainda não deu as caras aqui.Como vou fazer isto estando aprisionado neste…?Só pode ser amanhã.Agora? Agora não dá! Isto não,não é possível! Tem,tem,tanto ele quanto eu(Luiz neste instante está aparelhado com Lúcio pra ouvir a conversa),um não pode sair e o outro ficar.Daqui a pouco o patrão chega,a gente sai.(Lúcio tem em seu semblante estampada a tristeza quando diz cada palavra)Sim,resolvo tudo numa boa! Pra ti também!(Desliga o telefone)
Luiz:-Não é mais proibido trazer celular pra cá?(Lúcio,símplimente dá uma olhada.Volta ao que estava fazendo.Depois entra para no corredor.(Sozinho,Luiz começa a fazer insinuações).Falava com quem? Foi ele mesmo,foi sim! O patrão foi bem claro,quando diz que não permitia o uso de aparelho celular na hora do trabalho.Atrapalha o serviço dos outros. Deus, como atrapalha! Dúvida não há.Se é um de nós dois…o telefonema,as palavras cortadas ao meio.Tudo é muito esquisito.Alguém roubou.Se não fui eu…quem foi? Tem mais alguém aqui além de nós dois? Não tem.Quem comprou o terreno da dona Aser? Quem…(Quando ia completar a frase,Lúcio chaga com um sorriso nos lábios).
LÚCIO: - Vou me deitar um pouco aqui.Tomei uns comprimidos pra aplacar a dor de cabeça.Se eu dormir não me acorde.Só quero acordar quando o patrão adentrar por aquela porta ali.(Aponta pra porta)
LUIZ: - Vai me deixar só de novo.Fomos contratados para trabalhar,não pra dormir.
LÚCIO: - Me deixa tá,a vida já me amolou o bastante.Que sonolência!(Abri a boca) Este remedinho faz um redemoinho na cabeça da gente.(LÚCIO dorme.Luis aproveita e dorme também.Depois de muito tempo,Luiz levanta meio sonolento.Sacode o colega.LÚCIO não dá sinal de vida alguma.Luiz coloca a mão no pulso dele,o pulso está parado.O coração não bate).
LUIZ:-(Apavorado)Desgraçado,desgraçado,desgraçado!!!(Luiz sai correndo até atravessar a porta do corredor.Volta,remexe os bolsos de Lúcio) Nada.Este maldito não deixou um só comprimido.(Ouve-se ao fundo O PATRÃO NOSSE DE CADA DIA,do grupo SECOS&MOLHADOS.No momento em que Luiz ouve o último tocar do sina na música,diz):–Era só de brincadeira…não falei pra comprar comprimidos! Era brincadeira!
Posted by Camuccelli in 19:44:59 | Permalink | No Comments »